Cartas ao director

Falando-se de OE

Ouvi António Costa afirmar que distribuir riqueza também é uma forma de criar riqueza. Por uma vez, estou completamente de acordo com o primeiro-ministro, ao arrepio de todos os que, atavicamente, se limitam a pensar que distribuir a riqueza é dissipá-la. Muitos dos que, por formação e posicionamento na cadeia de valor social, têm a obrigação de lobrigar um pouquinho mais longe, deixam-se amortalhar na avidez de não abdicarem do ganho imediato. Não deixa de haver aqui muito de arrogância e amesquinhamento do próximo. Por interesse próprio ou egoísmo, esses possidónios deveriam apostar mais no futuro, se conseguissem compreender que uma distribuição mais justa, menos desigual, será um investimento com retorno para si próprios e seus descendentes. Mas não, prenhes de sofreguidão, preferem lambuzar-se já. 

Distribuir melhor poderá ser a sementeira para um mundo mais equitativo e, simultaneamente, mais produtivo, capaz de gerar a auto-suficiência material de todos. Em vez disso, os ricos comprazem-se em acumular recursos em infinitos saldos fátuos, todos balofos e virtuais, mas que, convenhamos, dão imenso poder a quem os possui.

José A. Rodrigues, Vila Nova de Gaia  

A coligação PS+PCP+BE

Depois de Passos Coelho surgiu o governo de António Costa coligado com Jerónimo de Sousa e Catarina Martins, onde foi anunciado “o fim da austeridade”. A fracção do povo que antes da bancarrota beneficiava de uma vida de nível europeu continuou a gozá-la, quer com Passos, quer com Costa e companhia. Realmente houve avanços para as corporações do Estado: os cortes entre 3% e 10% para salários acima de 1500 euros, que até representavam alguma justiça social, foram recuperados.

O salário médio da função pública de 1400 euros continua o dobro daquele auferido na actividade privada; com esta realidade, podemos avaliar o conceito de justiça social nos dois partidos que se auto-intitulam “à esquerda”, o PCP e BE. No tocante à saúde, o SNS é como um dique com rombos por onde se escoa o dinheiro dos trabalhadores por conta de outrem e empresários. Não houve uma única atitude para gerir melhor o dinheiro do SNS. A lista de exemplos seria infindável, do PS e do PSD tudo se espera, mas os partidos ditos de “esquerda” apresentam a sua verdadeira máscara: fazer de conta que se eles estivessem no governo o nível de vida podia evoluir sem qualquer criação de riqueza, apenas com demagogia.

Pode-se perguntar, foi positiva esta coligação? Sim para desfazer as ilusões no significado da palavra “esquerda”. E entre os governos de PSD ou de PS mesmo com António Costa, ou Jerónimo de Sousa ou Catarina Martins como primeiros-ministros, qual seria a opção menos má para o país? 

Angélica de Carvalho, Chaves

Fartos deste PS

Começamos a estar fartos deste PS que arrasta as decisões por querer, do seu Governo, apenas o lado do mandar. Sentimos que nos usaram até à náusea abusando da nossa paciência, humildade e convicções. Na quinta-feira, a ministra do Trabalho falava pelo Conselho de Ministros: entaramelando a arte de nada dizer de que até ela deve ter tido embaraço alheio em cinismo próprio. Deliberadamente titubeantes, propositadamente lentos a cumprir o que prometeram e dando em gotas uma parte das dez com que se comprometeram, este Governo já se enlameou e enlameou-nos a nós os que nele acreditaram. Este PS perdeu o respeito que tínhamos pelo seu apregoado projecto político e arrisca-se a ficar na História como um espaço fundo e vazio.

Maria da Conceição Mendes, Canidelo ​

Metro-Bus do Porto

Sou da opinião que os políticos antes de tomarem decisões que causem sérias alterações ao trânsito de veículos na urbe que governam, deveriam consultar a população que pensam servir.

Refiro-me concretamente ao novo meio de transporte, o metro-bus do Porto, e muito especialmente ao troço, que provindo da Avenida Boavista, continuará pela sua congénere Gomes da Costa (a última pérola da cidade), indo somente até ao seu término, a Praça do Império, e deste modo, em nada servindo a maioria da população da Foz do Douro. 

Sabendo-se já que existem duas carreiras de autocarros que passam pela Gomes da Costa, ao pretenderem lançar este novo meio de transporte, surgirão entre outras as seguintes consequências: a mais grave é sem dúvida o dano causado ao aspecto visual da mais bela avenida do Porto; reduzindo uma faixa de rodagem aos automóveis, prejudicam seriamente o intenso trânsito existem nesta via. 

Além do mais, sabe-se que esta avenida se compõe apenas de moradias cujos proprietários são, na quase totalidade, possuidores de automóveis, não se entende a necessidade deste novo meio de transporte, e afinal cabe perguntar: a quem vai servir este novo metro-bus? 

Henrique Allegro de Magalhães, Porto