BEI empresta 406 milhões à Galp para parques solares e mobilidade eléctrica

Banco de investimento da UE financia construção de centrais em Portugal e Espanha e postos de carregamento de veículos eléctricos nos dois países.

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Galp quer ter dez mil postos de carregamento de veículos instalados na Península Ibérica até 2025 Reuters/LUKAS BARTH

A Galp e a o Banco Europeu de Investimento (BEI) anunciaram esta sexta-feira a assinatura de três empréstimos para projectos relacionados com a energia solar e a mobilidade eléctrica num montante global de 406 milhões de euros.

O banco de investimento da União Europeia irá emprestar à Galp 325 milhões de euros para financiar parques solares com uma potência de 2 gigawatts (GW) em Espanha, prevendo-se que, numa fase posterior, estes projectos recebam um novo empréstimo de 325 milhões de euros na modalidade de project finance.

Em comunicado, a empresa presidida por Andy Brown refere que os novos projectos deverão começar a ser construídos “nos próximos três anos, incluindo a infra-estrutura auxiliar de interligação à rede”.

Com dimensões que variam entre 24 megawatts (MW) e 449 MW, e uma capacidade total de cerca de 2 GW, “equivalente ao consumo anual de energia de 866.400 lares”, as novas centrais fotovoltaicas estarão localizadas “em todas as regiões da coesão de Espanha”: Andaluzia, Aragão, Castela-Mancha e Estremadura.

Adicionalmente, o BEI, que tem como vice-presidente o ex-secretário de Estado das Finanças Ricardo Mourinho Félix, emprestará à Galp 40 milhões de euros para financiar as quatro centrais fotovoltaicas com 144 MW de potência que a petrolífera está a construir em Alcoutim, no Algarve.

“Uma vez operacionais, espera-se que os quatro parques de energia solar produzam em média 230 GWh [gigawatts hora] de energia renovável por ano, o equivalente ao consumo anual de energia de 72.800 lares”, nota a Galp.

Também há dinheiro do BEI para a mobilidade eléctrica. Segundo a Galp, o banco europeu vai financiar em 41,5 milhões de euros a extensão da rede de pontos de carregamento de mobilidade eléctrica da Galp na Península Ibérica, num total de 5500 pontos de carregamento a instalar até 2025, “55% dos quais serão localizados em regiões menos desenvolvidas e de coesão de transição em toda a Península Ibérica”.

Espera-se que o acordo “contribua para o desenvolvimento do mercado de infra-estruturas de carregamento de veículos eléctricos, melhorando o desempenho tecnológico, reduzindo os custos iniciais de equipamento, e mobilizando investimentos nas indústrias de veículos eléctricos”, salienta a Galp, que já deu conta de pretender entrar no negócio das baterias.

A empresa tem ainda “a intenção de expandir a sua oferta de postos de carregamento para 10.000 até 2025 na Península Ibérica”.

Em conjunto, os três projectos suportados pelo BEI irão “gerar em média um total de 3,6 TWh [terawatts hora] de energia renovável/ano, o equivalente ao consumo de energia de aproximadamente 940.000 lares”, adiantou a Galp. A petrolífera salienta que os projectos vão ajudar Portugal e Espanha a atingir os seus objectivos de energia e clima até 2030.

A capacidade de produção bruta total da Galp em termos de geração operacional e de desenvolvimento de energias renováveis totaliza 4,7 GW, distribuídos por Portugal, Espanha e, mais recentemente, Brasil.

Do total, 926 MW já estão em funcionamento. A meta da petrolífera, que quer ser uma empresa neutra em carbono até 2050, com objectivos de descarbonização intermédios até 2030, é “superar 4 GW e 12 GW de capacidade operacional bruta até 2025 e 2030, respectivamente”.