No PÚBLICO de sábado, as fotografias dão lugar às ilustrações

É a segunda vez que o PÚBLICO se enche de ilustrações feitas por artistas selecionados e premiados na Bienal de Ilustração de Guimarães.

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Detalhe do desenho do cartaz BIG 2021, da autoria de André Letria André Letria

No sábado, a história repete-se: o PÚBLICO, em colaboração com a Bienal de Ilustração de Guimarães (BIG) — o principal evento que distingue os melhores ilustradores do país —, lança uma edição totalmente ilustrada. Sem fotografias.

Tendo como base os seleccionados e premiados pela 3.ª edição do BIG, que entre 11 de Setembro e 31 de Dezembro organiza um conjunto de exposições, workshops e atribuição de prémios na área, serão mais de 30 os ilustradores responsáveis por dar cor e imagem aos conteúdos do PÚBLICO, incluindo alguns talentos consagrados como Catarina Sobral, Sebastião Peixoto e Francisco Sousa Lobo. Por detrás deste “corpo estranho” que invadirá a redacção do jornal, estão Jorge Silva e Marta Anjos, ambos designers e responsáveis pelo alinhamento das ilustrações que serão publicadas.

“É, sem dúvida alguma, uma empreitada difícil”, admite Jorge Silva, actualmente director de arte no atelier silvadesigners, mas para quem os corredores do PÚBLICO são ainda bastante familiares, uma vez que foi, entre 1999 e 2004, responsável pela imagem dos antigos suplementos Y (agora Ípsilon), Mil Folhas e da revista Pública. O processo é, à partida, simples e metódico: Cada ilustrador faz uma peça, dependendo da disponibilidade deste, à medida que os jornalistas vão libertando os temas e os textos.”

Porém, o último dia antes de fechar a edição é sempre “terrível e duro”, reconhece. “Neste momento, já estão a trabalhar alguns ilustradores nas peças-âncora, mas aquelas notícias mais quentes, geralmente de economia e de política, são decididas à última hora e tenho a certeza que na sexta-feira haverá muita gente a trabalhar até à noite”, garante. Jorge Silva recorda os momentos de aflição que marcaram a edição de há dois anos, a primeira que resultou da parceria do PÚBLICO com a BIG, quando começaram a aparecer notícias ainda por ilustrar. “Saímos à meia-noite e tal, pisando já quase a linha vermelha da hora de fecho”, conta. 

Ainda assim e apesar dos percalços, o director de arte admite que a experiência correu bem e houve uma resposta positiva por parte dos leitores. É também a pensar nestes que Jorge Silva pede a máxima literalidade das imagens aos artistas. “Claro que os ilustradores gostam de fazer algumas metáforas com os temas, mas como o que mais importa não é a história, mas a forma como esta é contada e o talento gráfico, estou a pedir-lhes que [as façam] o mais racional e literal possível”, esclarece. 

Para o designer, as parcerias entre jornais e ilustradores, como a que acontece nesta edição especial do PÚBLICO, não só têm um passado forte que as liga, como continuam a ser fundamentais para a área da ilustração, na maior parte das vezes pouco valorizada em Portugal. “A ilustração portuguesa é um superavit em relação àquilo que é a resposta do mercado actual e isto é uma celebração da qualidade destes artistas e sobretudo da sua capacidade de contar histórias”, reforça.


Texto editado por Bárbara Wong