Trump anuncia a sua própria rede social

A plataforma vai chamar-se Truth Social. Ex-Presidente foi expulso do Twitter e suspenso do Facebook e do YouTube na sequência do ataque dos seus apoiantes ao Capitólio a 6 de Janeiro.

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Donald Trump em Nova Iorque JEENAH MOON/Reuters

O antigo Presidente dos EUA Donald Trump anunciou que vai lançar a sua própria rede social, criticando o Facebook e Twitter, que o impediram de publicar nas suas plataformas em Janeiro por risco de incitamento à violência. Vai chamar-se Truth Social (inglês para “Verdade Social")

Donald Trump foi barrado das grandes plataformas de redes sociais depois do ataque ao Capitólio de 6 de Janeiro, em que morreram quatro pessoas e em que apoiantes de Trump tentaram impedir o processo de certificação da vitória do actual Presidente, Joe Biden. Depois da interrupção, o processo foi retomado e a vitória de Biden certificada, mas a invasão marcou a primeira vez desde 1814, quando as tropas britânicas invadiram Washington, que o Congresso dos EUA foi atacado.

O novo Grupo Trump de Media e Tecnologia (TMTG na sigla inglesa) será responsável pela aplicação Truth Social que vai funcionar como uma plataforma para Donald Trump comunicar às massas. Ainda não há detalhes sobre a estrutura da app, mas as publicações serão apelidadas de “verdades”.

“Estou muito entusiasmado por enviar a minha primeira verdade na Truth Social em breve. A TMTG foi fundada para dar uma voz a todos”, disse Trump, ao falar do novo projecto.

Uma comissão de inquérito do Congresso tenta perceber qual foi exactamente o papel de Trump neste ataque e o que sabia o então Presidente, quando este desafia legalmente a acção e tenta arrastar o processo, esperando que possa arrastar-se sem conclusão até às eleições de 2022 e que então os democratas possam perder a maioria que têm na Câmara de Representantes.

O Twitter disse que não voltaria a permitir que Trump usasse a sua plataforma, enquanto o Facebook admitiu um regresso após 2023, e o YouTube disse que o faria “quando o risco de violência” diminuísse.

Trump criticou o Twitter por permitir a presença dos taliban afegãos (com quem ele próprio assinou um acordo enquanto ainda era Presidente) e não do “vosso Presidente americano favorito”. Ainda no processo pós-eleitoral, o Twitter assinalou vários tweets de Trump como falsos, quando este disputava a vitória eleitoral de Joe Biden com alegações falsas de que tinha havido fraude (uma alegação já rejeitada por tribunais e responsáveis eleitorais de vários estados, incluindo de governadores republicanos).

Desde a sua saída das principais redes sociais, Trump tem lançado comunicados de imprensa e declarações aos apoiantes num site, mas não tem tido a atenção que tinha quando o fazia através do Twitter. A plataforma baniu ainda algumas contas que publicavam as declarações do site de Trump, tentando contornar a proibição.