Endividamento do Estado, empresas e famílias cai para 763,9 mil milhões em Agosto

Portugal manteve a terceira maior dívida face ao PIB em 2020, nos 135,2%, bem acima da zona euro e da União Europeia.

Foto
daniel rocha

O endividamento do sector não financeiro (administrações públicas, empresas e particulares) diminuiu em Agosto 300 milhões de euros em relação ao mês anterior, para 763.900 milhões de euros, informou esta quinta-feira o Banco de Portugal (BdP).

Segundo o BdP, o endividamento do sector público (administrações públicas e empresas públicas) manteve-se em 346.500 milhões de euros, enquanto o endividamento do sector privado (empresas privadas e particulares) diminuiu 300 milhões de euros, para 417.400 milhões de euros.

Apesar de se ter mantido estável, o endividamento do sector público registou “uma recomposição dos sectores financiadores, com destaque para o endividamento obtido junto do exterior, que diminuiu 1700 milhões de euros, e o endividamento junto do sector financeiro, que aumentou 1400 milhões de euros”.

Já no sector privado, o endividamento das empresas privadas diminuiu 700 milhões de euros e o endividamento dos particulares aumentou 400 milhões de euros, sendo que, “em ambos os casos, a variação do endividamento foi sobretudo face ao sector financeiro”, nota o banco central.

Em Agosto, o endividamento total das empresas privadas cresceu 1% face a Agosto de 2020 (tinha crescido, igualmente, 1% no mês anterior), enquanto o endividamento total dos particulares aumentou 2,9% face ao homólogo (tinha aumentado 3% em Julho de 2021).

Dívida publica representa 135,2% do PIB

Entretanto, o Eurostat divulgou esta quinta-feira o rácio da dívida pública face ao PIB dos países da União Europeia, referente a 2020, e Portugal manteve-se no terceiro lugar, com 135,2%, bem acima da média da zona euro e da União Europeia.

De acordo com dados do gabinete estatístico europeu, o rácio da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) aumentou de 83,6%, no final de 2019, para 97,3%, no final de 2020, na zona euro; e de 77,2% para 90,1%, respectivamente, na União Europeia (UE).

A dívida pública aumentou em 2020 face a 2019 tanto na zona euro como na UE como parte das medidas tomadas em resposta à pandemia da covid-19, justifica o Eurostat.

No final de 2020, os menores rácios da dívida pública em relação ao PIB foram notificados pela Estónia (19,0%), Bulgária (24,7%), Luxemburgo (24,8%) e República Checa (37,7%) e os maiores na Grécia (206,3%), em Itália (155,6%), Portugal (135,2%) e Espanha (120%).

As regras orçamentais da UE – que foram suspensas até 2022 (inclusive) devido à pandemia - estipulam um limite de 60% do PIB relativo à dívida pública.