Filipa Martins, uma portuguesa no topo da ginástica mundial

Atleta portuense obteve a melhor classificação de sempre para Portugal no Campeonato do Mundo de ginástica artística, no concurso de all around.

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Filippo Tomasi/FPG

Quando entrar, no sábado, em competição para discutir a final de paralelas assimétricas, Filipa Martins já contará no currículo com a melhor prestação de sempre de uma portuguesa nos Mundiais de Ginástica Artística. Em Kitakyushu, no Japão, a ginasta portuense terminou na 7.ª posição a prova de all around, culminando uma prestação que, dê por onde der, está já a ser histórica.

Na prática, esta performance coloca Filipa Martins entre as oito melhores ginastas do mundo, naquela que é a disciplina mais completa da modalidade. Entre a combinação de saltos, trave, paralelas assimétricas e solo, a atleta do Acro Clube de Maia somou 52.199 pontos, tendo ficado muito próxima do quinto lugar (52.832), num concurso que acabou por ser conquistado pela russa Angelina Melnikova (56.632).

Em bom rigor, Filipa Martins até obteve uma pontuação inferior à que registara durante a qualificação para a final, um sexto lugar construído com 53.032 pontos. E para isso contribuiu uma falha no exercício de paralelas assimétricas, em que escorregou e se viu forçada a reiniciar a prestação, com a correspondente penalização dos juízes (foram-lhe atribuídos 5900 pontos pela dificuldade e 7100 pela execução).

Temeu-se, nesse momento, que pudesse estar em causa um lugar no top 8, mas a ginasta de 25 anos conseguiu manter-se entre as melhores, terminando a prova com a classificação mais alta a ser alcançada na trave — um sexto lugar, com 12.933 pontos. No solo, ficou-se pelos 12.800, nas paralelas chegou aos 13.000 e nos saltos atingiu os 13.466. 

Este foi mais um momento alto na carreira de uma ginasta que já conta no palmarés com 10 participações em Campeonatos da Europa, tendo sido cinco vezes finalista do concurso de all around e coleccionado dois diplomas, em 2015 e 2017. A esta lista juntam-se duas participações olímpicas e agora este brilharete em Mundiais, depois de uma final em que surgiu em cena como a ginasta mais velha da prova.

Até agora, o melhor resultado de Filipa Martins em Campeonatos do Mundo tinha sido um 16.º lugar (54.721 pontos) no concurso de all around em 2014, ano em que a competição se disputou em Nanning, na China. Dois anos depois, seria submetida a duas operações ao tornozelo direito, tendo a mais recente acontecido em 2018 (no total, foram quatro até à data). Uma lesão que a condicionou, inclusive, nos Jogos do Rio de Janeiro.  

A forma como tem saído do período de pandemia tem sido promissora. Em Abril, cunhou com o seu apelido um movimento nas paralelas assimétricas que realizou em Basileia, durante os Europeus, antes de uma participação olímpica, emTóquio, que lhe deixou um sabor agridoce (43.º lugar), por não ter conseguido aceder às finais. Agora, voltou ao Japão para reclamar um outro nível de protagonismo.

O sentimento de missão cumprida já ninguém lho tira. E a final de paralelas assimétricas, agendada para sábado, será uma ocasião única para “desfrutar” do momento, como a própria sugeriu.