Weidmann abandona liderança do banco central alemão

Líder do Bundesbank na última década foi a oposição interna no BCE às políticas expansionistas de Mario Draghi e Christine Lagarde.

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Kai Pfaffenbach

A presidente do BCE deixou, em reacção ao anúncio da saída, elogios ao seu colega alemão. “O Jens é um bom amigo, com uma lealdade com a qual pude sempre contar”, disse Christine Lagarde, destacando ainda a forma como Weidmann esteve sempre disponível para debater com os outros membros do conselho de governadores do BCE. “Embora tenha visões claras sobre política monetária, sempre me impressionou a sua busca por terrenos comuns no conselho de governadores, pelas sua empatia para com os seus colegas do Eurosistema e pela sua disponibilidade para encontrar um compromisso”, afirmou.Jens Weidmann, que durante mais de dez anos liderou o banco central alemão e protagonizou uma oposição interna a Mario Draghi no BCE, anunciou que irá abandonar o seu cargo no final deste ano.

Num comunicado emitido esta quarta-feira pelo Bundesbank, o ainda presidente da instituição explica que a decisão de sair se deve ao longo período de tempo de exercício das funções. “Cheguei à conclusão que mais de dez anos é uma boa medida de tempo para passar uma nova página – tanto para o Bundesbank, como para mim, pessoalmente”, afirma o presidente do banco central.

Jens Weidmann assumiu a liderança do banco central alemão (e um lugar no conselho de governadores do Banco Central Europeu) em Maio de 2011, no auge da crise da zona euro. Durante o seu mandato foi sempre visto como o líder da facção dentro do BCE que se opôs à introdução de uma série de medidas extraordinárias, nomeadamente o lançamento dos programas de compra de títulos de dívida pública em larga escala com que o banco central, presidido por Mario Draghi e Christine Lagarde, tentou combater, não só os riscos de deflação na zona euro, como as dificuldades de acesso a financiamento sentidas por diversos Estados, incluindo Portugal

Preocupado com a possibilidade de se estarem a criar condições para o regresso de pressões inflacionistas e opondo-se a qualquer sinal de que o banco central pudesse estar a financiar os Estados, Weidmann votou, em diversas ocasiões, contra as decisões da maioria do conselho de governadores de aplicar uma política expansionista que conduziu, na última década, a um alargamento extraordinário do balanço do BCE que é, actualmente, detentor de uma parte substancial da dívida dos Estados da zona euro. No entanto, nunca conseguiu mais do que o apoio de uma minoria dos seus colegas governadores.

Em reacção ao anúncio da saída, a presidente do BCE deixou elogios ao seu colega alemão. “O Jens é um bom amigo, com uma lealdade com a qual pude sempre contar”, disse Christine Lagarde, destacando ainda a forma como Weidmann esteve sempre disponível para debater com os outros membros do conselho de governadores do BCE. “Embora tenha visões claras sobre política monetária, sempre me impressionou a sua busca por terrenos comuns no conselho de governadores, pela empatia para com os seus colegas do Eurosistema e pela sua disponibilidade para encontrar um compromisso”, afirmou.​

Weidmann anuncia a saída do cargo numa altura em que não foi ainda constituído o novo governo alemão, aquele que deixará de contar com a liderança de Angela Merkel e que deverá ser, em princípio, responsável pela nomeação do novo presidente do Bundesbank.

A saída do actual presidente do banco central acontece também num momento em que a taxa de inflação regista uma subida significativa, tanto na zona euro, como na Alemanha em particular, reanimando o debate sobre a forma como o BCE deverá proceder na retirada progressiva das políticas expansionistas implementadas nos últimos anos. Jens Weidmann também foi crítico da revisão estratégica feita pelo BCE já liderado por Christine Lagarde no decorrer deste ano, nomeadamente da ideia de que o banco central deve, após um período em que a taxa de inflação esteve persistentemente abaixo da meta de 2%, permitir que esta suba temporariamente acima desse valor.

E no momento da saída, fez questão de deixar um aviso: “Vai ser crucial não olhar apenas para os riscos deflacionários e não perder de vista os perigos inflacionistas futuros”.