Camané, álbum I d.JMB

Um disco de compromisso entre aquilo que Camané pode sonhar em ser daqui em diante e a ligação à mentoria ímpar de José Mário Branco que foi fundamental no seu percurso. Horas Vazias sai a 29, o single de apresentação na sexta-feira.

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A partir daqui, o percurso será sempre outro, dificilmente entregue ao mesmo trabalho de rigor e carpintaria em torno da palavra Augusto Brazio

Já se sabia que não seria fácil. Após a morte de José Mário Branco (JMB), Camané havia de tornar-se órfão artístico. Não que Camané tivesse alguma vez sido uma “invenção” de JMB, naturalmente, mas a sua discografia foi construída, desde a primeira hora – isto é, desde Uma Noite de Fados (1995) –, a partir da visão conjunta do seu fado. O que garantiu que o rasto discográfico do fadista não ostentasse aquele ar de cata-vento tão comum entre os seus pares, não passando o tempo a debicar e a experimentar vários registos, à procura daquele que melhor servia e se alimentava de cada momento. Juntos, souberam resistir sempre a essa tentação e criaram uma obra que, por isso mesmo, é absolutamente singular.

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