Sindicatos da UGT admitem juntar-se à greve de 12 de Novembro da função pública

Se o Governo não der respostas aos trabalhadores da função pública e não apresentar um calendário para negociar questões como a revisão do SIADAP e carreiras, a Fesap e o STE admitem juntar-se à greve já marcada pela Frente Comum.

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José Abraão, dirigente da Fesap, ameaça juntar-se à greve já marcada pela Frente Comum Nuno Ferreira Santos

A Federação de Sindicatos de Administração Pública (Fesap) e o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) admitem convocar uma greve para 12 de Novembro, à semelhança do que já fez a Frente Comum, caso nas reuniões desta quarta-feira o Governo não apresente um calendário de negociações para o próximo ano com respostas às exigências dos trabalhadores.

Depois de a proposta de aumentar os salários dos funcionários públicos em 0,9% em 2022 ter deixado os sindicatos desiludidos, o Governo volta esta quarta-feira à mesa das negociações com a perspectiva de uma greve geral da função pública no horizonte.

“Todas as formas de luta estão em cima da mesa: uma greve nacional, greves sectoriais ou outras acções menos convencionais. Amanhã anunciaremos o que vamos fazer. Tudo depende do que o Governo nos disser”, sublinha José Abraão, coordenador da Fesap, ao PÚBLICO.

“Queremos compromissos escritos, uma calendarização das negociações e respostas concretas no que diz respeito à revisão das carreiras gerais, à valorização remuneratória dos técnicos superiores ou aos aumentos salariais que permitam recuperar o poder de compra”, acrescenta o responsável, dando ainda conta da necessidade de actualizar o subsídio de alimentação.

“Se o Governo quer paz social tem que assumir compromissos para a administração pública ou então empurra-nos para a greve”, avisa.

No que respeita aos aumentos salariais, José Abraão está confiante de que o Governo irá além dos 0,9%, cumprindo a promessa feita em 2019 de aumentar as remunerações dos funcionários públicos em 1%, mas isso não será suficiente para afastar a ameaça de uma greve.

O STE também está a ouvir os associados para decidir os próximos passo, esperando que o Governo “queira mesmo negociar”, não só os aumentos salariais, mas também outras matérias e estabelecer calendário para revisão de carreiras e do Sistema de Avaliação de Desempenho da Administração Pública (SIADAP).

Helena Rodrigues, presidente do STE, vai para o encontro com a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, com a expectativa de conseguir aumentos acima de 0,9%, “evitando que continuemos a perder poder de compra”.

“Vamos esperar pela reunião, mas estamos a ouvir os nossos associados a propósito da greve de 12 de Novembro”, adianta a dirigente ao PÚBLICO.

A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública já anunciou a realização de uma greve nacional no dia 12 de Novembro, por entender que o Orçamento do Estado para 2022 “não dá resposta aos problemas dos trabalhadores” e o aumento salarial de 0,9% é “insuficiente”.

Segundo Sebastião Santana, dirigente da Frente Comum, a greve deverá afectar “todos os sectores” da administração pública e “contribuirá para que o Governo altere as suas posições”.

Nesta quarta-feira de manhã, antes das reuniões com a equipa do Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública, a Frente Comum tem marcada uma concentração de dirigentes e de delegados sindicais em frente à residência oficial do primeiro-ministro, onde serão entregues “dezenas de milhares” de postais em que os trabalhadores exigem aumento dos salários.