Aristides: “A história foi ontem”, mas resgatá-la está a ser difícil em Cabanas de Viriato

A futura casa-museu de Aristides de Sousa Mendes tarda em tornar-se realidade. E juntar o espólio que a poderá rechear apresenta-se como uma tarefa ainda mais difícil. No dia em que o antigo cônsul de Bordéus tem Honras de Panteão Nacional, a sua terra natal continua à espera de ter o espaço que sonhou para o lembrar e homenagear.

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Rui Oliveira

Olímpio Tavares, “92 anos e meio”, como se apresenta, percorre, atento, as capas de arquivo alinhadas em prateleiras. Pára quando chega a uma não muito grossa, de elásticos pretos. “Cá está”, diz. Abre-a e de lá de dentro saltam facturas, cartas e bilhetes-postais dirigidos a ou escritos por Aristides de Sousa Mendes. Silvério de Sousa Mendes, 45 anos, bisneto do diplomata português castigado por Salazar pelo acto de desobediência que permitiu salvar a vida de milhares de refugiados judeus (e não só) durante a Segunda Guerra Mundial, admite que desconhecia por completo a existência desta correspondência. “Sabemos que há muitas coisas que estão na comunidade de Cabanas de Viriato, mobiliário, carrinhos de bebé, objectos mais de índole pessoal. Esse vai ser o grande trabalho, a tentativa de reunir a maior quantidade de objectos possível para o museu”, diz.

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