Cartas ao director

Corvo intolerante. Eu?

Não é o facto de assacar responsabilidades de tanto mal ao Partido Socialista que me incomoda, já que a ele nada me liga. Nem sequer algumas das acusações ao PS, com as quais até concordarei. Mas Paula Teixeira da Cruz (P.T.C.), no seu “Mil anos e um dia”, no PÚBLICO de 13 de Outubro, teve um dia a mais. Mais lhe valia ter-se ficado apenas com mil anos.

P.T.C. tem toda a liberdade para ser adepta ferrenha de Cavaco Silva. Nesta boutade, contudo, andou mal com a extrema deselegância de chamar “intolerantes corvos” a quem não concorda com Sua Excelência, o “Presidente que nunca deixou de o ser”. Confesso que acusei o toque, e afinei, porque as únicas imagens positivas que tenho de Cavaco são as do bolo-rei, lembram-se? P.T.C. faz-me lembrar aquele “distinto” académico, Nuno Palma, que, há alguns meses, na convenção promovida pelo MEL, veio “branquear” o Estado Novo fascista. 

P.T.C. referia-se a um artigo de Cavaco no Expresso, em que, mais uma vez, pressentimos um homem amargurado, zangado com o mundo por poucos lhe reconhecerem os valores que, ilegitimamente, reclama, nunca esquecendo a suprema ignomínia de ter de dar posse a um governo da “geringonça”. P.T.C. acusou os Governos do PS de “nepotismo, falta de estratégias fundadas no bem do país, intriga reinante, cedência a ideologias extremistas e a medidas demagógicas”. Como se os Governos liderados por Cavaco fossem imunes a críticas semelhantes ou piores.

José A. Rodrigues, Vila Nova de Gaia

Crise energética

Nos últimos tempos, a comunicação social, tem vindo a falar numa suposta crise energética, a qual tem dado origem a um agravamento do preço dos combustíveis. O que não sabemos é se a denominada crise corresponde à realidade, uma vez que em contexto de pandemia houve uma quebra de receita nos cofres do Estado, sendo óbvio que teria de se arranjar uma estratégia para cobrar mais impostos

Todos recordar-se-ão que há bem pouco tempo, o chefe do governo falou numa suposta intervenção do mesmo com o objectivo aparente de colocar um travão, ou limitar os absurdos aumentos dos combustíveis, mas à semelhança de outras promessas esta intervenção não veio a ocorrer, pelo que podemos constatar que aquela não passou de uma proposta de boas intenções, cujo objectivo mais uma vez revela uma falsa simpatia.

A necessidade de robustecer os dados positivos da economia tem obrigado a esforços governamentais no sentido de se conseguir passar para a opinião pública a imagem de que, apesar da pandemia, o governo foi capaz de contornar as dificuldades, pelo que a pergunta que se impõe é se a desculpa da crise energética não terá sido um argumento concertado, quando Portugal continua a ser o país com os combustíveis mais caros e a mesma só se faz sentir em Portugal?

Américo Lourenço, Sines   

A fuga

A fuga de Rendeiro e a justiça”. Este é o título de um muito bom artigo no PÚBLICO de 10 de Outubro e este o tema de muitas notícias, artigos e opiniões na nossa imprensa escrita e falada. Tudo e todos sabem quais as causas e como resolver estas “fugas” para que não se repitam no futuro. Contudo, hoje é o futuro de outras “fugas” do passado recente e antigo que deram origem a outras tantas indignações e outros mais artigos, opiniões e notícias. E no entanto nada mudou.

Eu, que não sou licenciado em Direito, apenas um simples engenheiro, habituado a resolver problemas com pragmatismo comprovado pela ciência, atrevo-me a também “botar” opinião sobre como resolver este problema. É simples, basta que após condenação em primeira instância o condenado cumpra de imediato a pena. Se for prisão, que vá preso. Depois, se quiser recorrer, faça-o para a Relação, para o Supremo e, até, para o Constitucional se razão houver. Mas faça-o do local para onde o primeiro julgamento o mandou. Não é nada que não seja prática comum em muitos e bons civilizados países com os quais nos gostamos de comparar.
Tenho a certeza que cumprido este procedimento, com gente “importante” a cumprir pena, todo o processo de recurso se tornaria mais expedito. Com os bons gabinetes de advocacia a pugnar pela rapidez processual ninguém me convence que aquele recurso que agora demora N (com N grande) meses até ser decidido, não passaria a “andar" mais depressa. Então, talvez por tabela, os processos em primeira instância também acelerassem. Quem sabe!

Jorge Mónica, Parede