A Lua em troca de um beijo

Fonchito apaixonou-se por Nereida e pediu-lhe um beijo. Ela pediu-lhe o que parecia impossível de obter, a Lua. E não é que o beijo aconteceu?

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Marta Chicote Juiz
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Capa do livro “Fonchito e a Lua”, editado pela Presença Marta Chicote Juiz

Uma história ternurenta escrita por Mario Vargas Llosa, prémio Nobel de Literatura em 2010, que nos conta como um rapaz apaixonado tudo faz para poder “beijar o rosto de Nereida, a menina mais bonita da turma”.

Certo dia, durante o recreio, atreveu-se a dizer-lhe: “Gostava tanto de te dar um beijo… Posso?” A resposta não foi a esperada. “Nereida corou ligeiramente, olhou para ele, muito séria, e então respondeu: — Podes, se fores buscar a Lua para me dar.

Desanimado, Fonchito concluiu que Nereida nunca deixaria que ele o beijasse. “Não era isso que aquela resposta queria dizer?”

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No entanto, o acaso fez com que o rapaz visse o reflexo da Lua “no balde com que o seu pai, Dom Rigoberto, regava os vasos de gerânios que davam cor e vida ao terraço”. E teve uma ideia.

O menino dirigiu-se à casa da sua paixão numa quinta-feira à noite, quando o pai dela ia ao clube com os amigos e a mãe ia jogar às cartas com as amigas. O terraço e uma panela cheia de água fizeram o que parecia impossível.

Fonchito conseguiu então surpreender Nereida, oferecendo-lhe a Lua numa noite de céu limpo, o que é raro em Lima, no Peru, onde tudo aconteceu.

Quando Nereida percebeu o que Fonchito lhe queria mostrar, viu, no fundo do recipiente, uma pequena Lua redonda e amarela, tremendo levemente com o movimento da água. Contemplou-a durante muito tempo, sem dizer nada e sem olhar para o amigo.”

As palavras do autor de Conversa na Catedral (1969), Os Cadernos de Dom Rigoberto (1997) e de Tempos Ásperos (2019) são ilustradas aqui por Marta Chicote Juiz, espanhola especializada em Desenho e formada em Belas-Artes pela Universidade Complutense de Madrid.

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Tem um registo a fazer lembrar cinema de animação, cria figuras esguias e atmosferas calmas. As mudanças de escala e as imagens cortadas (pode aparecer metade de um rosto ou apenas as pernas de alguém) são uma das suas práticas correntes quando ilustra.

Trabalhou durante vários anos como designer gráfica para diferentes agências e estúdios, mas agora dedica-se exclusivamente à ilustração. Fez um curso nesta área na Universidade Leeds Beckett, no Reino Unido.

Quanto ao protagonista desta história, Fonchito (nome recorrente nas personagens do autor), acabou por ganhar um beijo. Suspeitamos de que foi apenas o primeiro.

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