Deputado do Partido Conservador morre esfaqueado num encontro com eleitores

David Amess foi atacado numa igreja em Leigh-on-Sea, no Sudeste de Inglaterra, e morreu no local. Suspeito do crime foi detido.

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Sir David Amess tinha 69 anos Parlamento do Reino Unido
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Polícia do condado de Essex deteve um suspeito ANDREW COULDRIDGE/Reuters
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Amess ao centro, de pé, numa intervenção recente na Câmara dos Comuns de Westminster UK Parliament/JESSICA TAYLOR/Reuters

David Amess, deputado do Partido Conservador, morreu esta sexta-feira em Leigh-on-Sea, no condado de Essex, no Sudeste de Inglaterra, esfaqueado durante um encontro com eleitores. Tinha 69 anos, era casado e deixa cinco filhos.

Testemunhas do ataque dizem que o político tory foi atingido “várias vezes” com uma faca, por volta do meio-dia, durante um encontro com eleitores do círculo que representava (Southend West) na Belfairs Methodist Church, uma igreja de Leigh-on-Sea.

“Chegámos [à igreja] e encontrámos um homem ferido. Recebeu tratamento dos serviços de emergência, mas, infelizmente, morreu no local”, informou a polícia de Essex através de um comunicado.

Segundo as autoridades, “um homem de 25 anos foi rapidamente detido” no local, suspeito de “homicídio”, e “foi apreendida uma faca”. Ainda não são conhecidos os seus motivos e tudo aponta para que tenha actuado sozinho, sem cúmplices.

As investigações vão agora ser lideradas pelo Comando de Contraterrorismo da Polícia Metropolitana de Essex, que irá determinar se se trata ou não de um incidente de natureza terrorista.

“David era um homem que acreditava apaixonadamente neste país e no seu futuro. Hoje perdemos um bom funcionário público e um amigo e colega muito amado”, lamentou o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, num comunicado, descrevendo Amess como “uma das pessoas mais bondosas, simpáticas, gentis da política” britânica.

David Amess representava Southend West desde 1997 e era um dos deputados mais antigos da Câmara dos Comuns. A primeira vez que foi eleito para a câmara baixa do Parlamento do Reino Unido foi em 1983. Conservador nos costumes, integrava a facção do partido que fez campanha pela saída do país da União Europeia e era uma voz importante na contestação ao aborto e na defesa dos direitos dos animais.

Numa das suas intervenções deste ano no Parlamento britânico tinha pedido ao primeiro-ministro e ao Governo que prestassem mais atenção e mobilizassem mais esforços para travar o aumento do número de ataques com facas no seu círculo eleitoral e noutras localidades do país.

Colegas do Partido Conservador, membros do Governo de Johnson, antigos primeiros-ministros, adversários políticos e líderes da sociedade civil recorreram às redes sociais para prestar homenagem ao deputado e declarar o seu apoio à família e amigos.

“Estou de coração partido por termos perdido Sir David Amess. Um político de enorme senso comum e uma pessoa formidável a fazer campanha, com um grande coração e uma tremenda generosidade de espírito – incluindo com aqueles que discordavam dele”, escreveu no Twitter o vice-primeiro-ministro e ministro da Justiça, Dominic Raab.

“Estou chocado por saber que o meu bom amigo e colega de longa data morreu em resultado de um ataque desesperado (…), enquanto fazia o que todos os deputados que têm deveres fazem: olhando pelos seus constituintes, tantas vezes como uma última esperança quando tudo o resto falha. As minhas orações vão para a sua família”, lamentou também o deputado e antigo líder do Partido Conservador Iain Duncan Smith.

“Notícias horríveis e profundamente chocantes. Os meus pensamentos estão com o David, com a sua família e com a sua equipa”, reagiu ainda o líder da oposição, Keir Starmer, igualmente no Twitter.

Este é o terceiro crime do género contra deputados britânicos, num espaço de dez anos – o segundo com um desfecho trágico.

Em 2016, a deputada do Partido Trabalhista Jo Cox foi assassinada por um “terrorista da extrema-direita” em Birstall, no Norte de Inglaterra; antes, em 2010, Stephen Timms, também do Labour, foi igualmente atacado com uma faca, em Beckton, nos subúrbios de Londres, por uma “terrorista islamista”, mas sobreviveu.

“Atacar os nossos representantes eleitos é um ataque à própria democracia”, afirmou Brendan Cox, marido de Jo Cox. “[Este ataque] traz tudo de volta: a dor, a perda, mas também a quantidade de amor que as pessoas nos deram depois da perda da Jo. Espero que agora possamos fazer o mesmo pelo David”.

Priti Patel, ministra do Interior, garantiu esta sexta-feira que o Governo vai avaliar as questões cada vez preocupantes que estão a ser levantadas no âmbito “da segurança dos representantes eleitos” do país e das ameaças que recebem, e prometeu “novidades a seu tempo” sobre o assunto. “Isto representa um ataque absurdo à democracia”, acrescentou.

Pouco depois de conhecida a notícia da morte de David Amess, Lindsay Hoyle, presidente da Câmara dos Comuns, anunciou que as bandeiras em redor do Parlamento, em Londres, foram colocadas a meia haste. Outros edifícios governamentais e públicos do país fizeram o mesmo.