Instagram começa a dizer a adolescentes para “fazerem pausas” da plataforma

As novidades chegam dias após uma antiga especialista em análise de dados da empresa acusar o grupo Facebook de enganar investidores e escolher “lucro em detrimento da segurança”.

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Reuters/Dado Ruvic

A equipa do Facebook quer mostrar que se preocupa com a saúde mental dos mais jovens. Em breve, o Instagram vai começar a encorajar os adolescentes que estão sempre a ver a mesma coisa na plataforma (por exemplo, o perfil de uma celebridade específica ou imagens sobre dietas) a pesquisarem outras coisas. Quem passar muito tempo seguido no Instagram, vai receber um alerta para fazer uma pausa. 

A informação, que foi avançada à CNN pelo responsável de assuntos globais do Facebook, Nick Clegg, chegou dias após uma antiga especialista em análise de dados da empresa acusar o conglomerado de redes sociais de optar pelo lucro em detrimento da segurança. Os relatórios internos divulgados por Frances Haugen, que trabalhou no Facebook entre 2019 e 2021, incluem estudos que sugerem que o Instagram piora a auto-estima e a imagem corporal das jovens.

O Facebook (dono do Instagram e do WhatsApp) tem dito que a investigação foi tirada fora do contexto. Embora uma em cada três das jovens inquiridas no estudo do Facebook tenha dito, de facto, que o Instagram piorava a sua imagem corporal, 46% das inquiridas não sentiram o impacto da rede social. E cerca de 22% disseram que a rede social social as ajudou a melhorar a forma como se vêem ao espelho.

“Não é rigoroso dizer que esta investigação demonstra que o Instagram é ‘tóxico’ para raparigas adolescentes. A investigação demonstrou que muitas adolescentes sentem que a utilização do Instagram as ajuda quando se debatem com os tipos de momentos difíceis e problemas que as adolescentes sempre enfrentaram”, sublinhou a vice-presidente responsável pelo departamento de investigação do Facebook, Pratiti Raychoudhury, numa publicação em que o Facebook partilha as conclusões originais na investigação.

Em entrevista à CNN, Clegg reforçou a ideia de que, “para a esmagadora maioria dos adolescentes, o Instagram é uma experiência positiva”, reconhecendo, no entanto, que a plataforma pode limitar o seu impacto negativo. 

Sistemas de alerta

“Vamos introduzir algo que acredito que vai fazer a diferença”, adiantou o responsável por assuntos globais da plataforma. “Quando os nossos sistemas percebem que um adolescente está a olhar sempre para a mesma coisa, vezes sem conta, e esse conteúdo não é propício ao seu bem-estar, vamos começar a empurrá-los para outro conteúdo”, explicou Glegg, sem adiantar o que a plataforma considera como conteúdo que “não é propício ao bem-estar”. 

A plataforma também está a trabalhar num sistema para avisar os jovens que passam muito tempo seguido no Instagram a fazerem pausas, e em novas ferramentas para os encarregados de educação. “[O objectivo] é que os adultos possam supervisionar o que os seus adolescentes fazem online”, explicou Clegg, clarificando que o sistema será opcional.

Por ora, não se sabe quando as mudanças no Instagram vão entrar em vigor. Em respostas à imprensa, a equipa do Facebook nota que as ferramentas “ainda não estão a ser testadas.”

O escrutínio sobre o papel do Facebook e do Instagram na saúde mental dos mais jovens aumentou consideravelmente com as denúncias de Frances Haugen. A antiga gestora de produto do Facebook vai voltar a falar com os reguladores norte-americano no próximo dia 25 de Outubro numa sessão organizada pelo comité que está a trabalhar numa nova lei da segurança online nos EUA.

 No final de Setembro, suspendeu a criação de uma versão do Instagram para menores de 13 anos.