Mais meditações e exercícios na app de bem-estar da Fundação José Neves

Aplicação disponibiliza conteúdos cientificamente validados e em língua portuguesa, garante organização sem fins lucrativos.

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PRATEEK JAISWAL

Para assinalar o Dia Mundial da Saúde Mental, que se celebra neste domingo, a Fundação José Neves (FJN) anunciou que vai incluir algumas novidades na sua aplicação dedicada ao bem-estar. Além de mais actividades de meditação e exercícios, está previsto o lançamento de um curso sobre liderança, dedicado especialmente aos jovens entre os 15 aos 20 anos — uma das faixas etárias que foi especialmente afectada pela crise pandémica, com o aumento de casos de depressão, ansiedade, perturbações de sono ou stress

Descarregada dez mil vezes e com cerca de oito mil utilizadores registados, a aplicação foi apresentada em Junho deste ano, depois de ter sido desenvolvida em colaboração com a fundação sueca 29k, uma organização sem fins lucrativos que tem como objectivo pôr as pessoas a trabalharem o seu bem-estar, por si próprias e sem ter de pagar por isso. Por cá, através da aplicação, a FJN disponibiliza programas de desenvolvimento pessoal com o objectivo de promover uma vida profissional e formativa sustentável, reduzir os efeitos negativos do stress, aumentar o bem-estar e fomentar a resiliência e a saúde mental”, refere a FJN no seu site.

Através da aplicação, os utilizadores têm acesso a cursos, meditações e exercícios individuais. “Não podemos só conhecer o mundo que nos rodeia, mas precisamos também de nos entendermos a nós próprios, para que consigamos gerir as nossas emoções e sermos seres ainda mais completos”, explica Carlos Oliveira, presidente-executivo da FJN, ao PÚBLICO. 

Os cursos de desenvolvimento pessoal são dados por personalidades conhecidas, desde a televisão, com Catarina Furtado e Fátima Lopes, ao mundo empresarial com o próprio José Neves, fundador da Farfetch, ou Paula Amorim, administradora da Galp e do Grupo Amorim, assim como de Luís Portela, ligado ao grupo farmacêutico Bial. 

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DR

Entre sessões de meditação guiada, exercícios de respiração e cursos de desenvolvimento pessoal como “Ultrapassar os desafios”, “Sê gentil contigo”, “Aceita os teus pensamentos”, a app é totalmente gratuita e disponível tanto para iOS como para Android, havendo ainda a possibilidade de organizar conversas de grupos com outros utilizadores para promover momentos de diálogo e discussão. Aliás, algumas empresas como a Bial, a Galp ou a Farfetch promoveram a utilização da aplicação entre os seus trabalhadores, refere a FJN em comunicado à imprensa.

Para Carlos Oliveira, o grande objectivo desta aplicação é, tal como os outros projectos desenvolvidos pela fundação, dar aos portugueses uma ferramenta prática para se defenderem de determinados problemas a nível mental e sensibilizar a própria população para um tema que ainda é visto com muito preconceito. “Sabemos que a aplicação em si não resolve tudo, mas pode ajudar a identificar e até melhorar questões de saúde psicológica”, estas muitas vezes “escondidas ou menosprezadas”, diz o responsável.

“Quando nos dói o braço ou a barriga vamos ao médico ou contamos a alguém, mas acreditamos que há ainda uma matriz social que vê os problemas a nível mental como uma anormalidade, o que é mentira, porque todos nós podemos ter desequilíbrios emocionais”, acrescenta.

A pandemia foi também um dos factores chave que motivou a fundação a apostar na app. “Durante o combate à covid-19, muitas pessoas ficaram em casa ou perderam o emprego, por isso, foi importante encontrar um programa que não só tivesse um impacto de escala, como validação científica”, contextualiza Carlos Oliveira. Afinal, todos os conteúdos foram desenhados e aprovados por psicólogos e investigadores internacionais e nacionais, incluindo profissionais das universidades de Harvard, nos EUA; Londres, no Reino Unido; do Instituto Karolinska, na Suécia; e da Escola de Medicina da Universidade do Minho. 

O presidente garante ainda que a fundação leva muito a sério a privacidade dos utilizadores da aplicação, não havendo qualquer recolha de informação dos mesmos e garantindo o seu anonimato. Os conteúdos em português são ainda a principal mais-valia, ao contrário do que é geralmente praticado no mercado, porque “o cérebro capta e aprende muito melhor na língua-mãe”, conclui Carlos Oliveira. 


Texto editado por Bárbara Wong