Peregrinatio academica: pensar o início de um novo ano letivo e buscar um novo normal

No ano em que a peregrinatio académica move, só em Portugal, 412 mil estudantes e dezenas de milhar de professores na sua busca pelo conhecimento, é tempo de pensarmos em alternativas pedagógicas que levem o conhecimento em vez de nos trazerem estudantes.

Com o início pleno do ano letivo no Ensino Superior em Portugal inicia-se o que, em latim medieval, se designava por peregrinatio academica que designava a migração de estudantes e professores em direção aos locais onde poderiam obter conhecimento. Durante séculos esta migração trouxe, para Coimbra, com regularidade, mestres e aprendizes de todo o mundo. Habituámo-nos a ver a cidade rejuvenescer no Outono, com novos rostos, uma esperança renovada no futuro e uma alegria própria de quem se prepara para descobrir um novo mundo. A Primavera da ciência tinha, até agora, lugar e espaço no Outono Coimbrão. Durante séculos era mesmo só para Coimbra a peregrinatio académica do mundo que falava português. De uma universidade lusófona monopolista passámos a um expressivo número de universidades na lusofonia. Durante séculos foi uma migração elitista, masculina e excludente (tão exclusiva que nela só cabiam homens brancos de boas famílias). Hoje, felizmente é menos elitista, já não é tão sexista, mas ainda fica muito aquém de ser suficientemente inclusiva para que todos tenham o seu lugar nesta mesa comum.

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