As grandes virtudes de Natalia Ginzburg

Em As Pequenas Virtudes, breve livro de ensaios, a italiana mantém os traços de uma escrita que felizmente voltou a ser celebrada: grande curiosidade pelo outro e por si na relação com o outro, atenção aos detalhes quotidianos enquanto reveladores das grandes fragilidades humanas e, também, da arte.

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Uma redescoberta muito feliz porque traz a reedição da obra de uma das mais estimulantes escritoras do século XX na Europa Leonardo Cendamo/Getty Images

Este é mais um daqueles casos a que ultimamente tem sido aplicada a expressão “redescoberta”. Uma redescoberta muito feliz porque traz a reedição da obra de uma das mais estimulantes escritoras do século XX na Europa. Natalia Ginzburg (1916-1991) está a deixar de ser um quase segredo para se tornar num culto alargado e, mais uma vez, o sopro do seu nome veio dos Estados Unidos. Em Portugal, no início dos anos 90, a Cotovia publicara três livros de Ginzburg: Todos os Nossos Ontens, O Caminho da Cidade e Foi Assim. Os menos distraídos tiveram então acesso a uma escrita detalhadamente atenta a tudo o que compõe o humano. Na casa, na família, na solidão de uma vidraça, na rua das lutas políticas mais ou menos clandestinas, na intimidade de um casal que se alinha ou desalinha, na estranheza com que os filhos olham a tensão entre esses pais, no sentido de ética que põe em cada observação, ou no modo inquieto com que parte para o aplicar da linguagem ao que vê, sente, transmuta.