Portas alerta para risco de CDS ficar na “dependência extrema do PSD”

Antigo líder do CDS considera que o resultado do partido nas autárquicas “é sombrio”.

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Paulo Portas vê a vitória em Lisboa como motivo para o CDS comemorar Rui Gaudencio

O antigo líder do CDS, Paulo Portas, considerou neste domingo que o partido “tem razões para celebrar” as eleições autárquicas, mas alertou para o risco de se gerar uma “dependência extrema do PSD” por causa de um “problema sério” de resultados quando o partido concorreu sozinho. O comentário foi feito no âmbito de uma análise às autárquicas no programa Global, na TVI, e contrasta com o discurso do actual líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos.

“Quando o CDS vai com a sua marca, o seu símbolo e a sua voz é um resultado sombrio”, afirmou o antigo vice-primeiro-ministro, referindo que retira a mesma conclusão quando analisa a soma dos votos nas coligações (um voto em cada cinco), com os votos das coligações que liderou e em listas próprias.  “Dá menos 72 mil votos, isto pode criar uma dependência extrema do PSD”, alertou.

Esta ideia sobre o risco de o CDS se apagar já tinha sido sublinhada por Nuno Melo, na passada sexta-feira, nas redes sociais. “Quando o partido se encontra débil, o risco é grande nos combates legislativos”, escreveu o antigo vice-presidente de Paulo Portas e Assunção Cristas numa nota em que remeteu para os próximos dias o anúncio da sua candidatura à liderança do CDS. Por seu turno, o actual líder afirmou, na passada sexta-feira ao Expresso, não excluir a possibilidade de uma coligação pré-eleitoral com o PSD para as legislativas.

Francisco Rodrigues dos Santos tem elogiado a prestação autárquica do partido e já considerou que foi até o melhor resultado das “últimas décadas”. Paulo Portas faz outra leitura. “Em algumas coligações, o CDS tem influência, noutras não. Mas depois tem um problema que é sério. Acho que é a primeira vez que quando vai com a sua marca, com a sua sigla e com a sua voz e tem menos de 100 mil votos”, afirmou.

Paulo Portas considerou, no entanto, que o CDS “tem razões para celebrar porque os seus seis presidentes de câmara aguentaram” embora não tenha perdido nenhuma das suas câmaras também não ganhou outra – e porque participou na vitória em Lisboa “com brilho próprio”. “Isabel Galriça Neto ganhou na Assembleia Municipal como Carlos Moedas ganhou na câmara”, afirmou, referindo-se à ex-deputada que Paulo Portas convidou para as listas da Assembleia da República em 2009.