Parágrafos escondidos

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Sophie Bassouls/Sygma via Getty Images

Se ler fosse caminhar, há parágrafos que nos conduziriam a clareiras, pátios secretos, jardins vazios. A lugares que talvez tenham passado desapercebido a outros leitores. De Noites de Brancas de Fiódor Dostoiévski, antes do encontro do narrador com a sua querida Nástienjka, guardo o momento que o primeiro personifica as casas de São Petersburgo. Elas saúdam-no, contam-lhe as novidades, falam-lhe das suas alegrias e sofrimentos. O escritor russo deixa verter, numa ou noutra frase, o receio dos desvarios da arquitectura, mas é o momento infantil, cartoonesco, uma conversa imaginária com a cidade que, alegremente desencaminhado, retenho.

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