O mundo caminha para o fim, mas os Stranglers não

Um álbum que não retira qualquer luz à discografia dos Stranglers.

Foto
44 anos depois da estreia, um álbum absolutamente digno hiroki nishioka

Dizem aqueles sites que gostam de aliciar cliques com notícias de números que impressionam e chamam a atenção, com informação quase sempre irrelevante e inútil — a menos que nos calhe em sorte partilhar uma mesa de café com Tom Waits, rei oficioso dos factóides —, que a medalha de ouro para a mais longa gestação no reino animal cabe ao tubarão-cobra, espécie rara que demora três anos e meio a preparar a expulsão de um novo espécime para o mundo. Claro que os britânicos The Stranglers não competem na mesma categoria do que o tubarão-cobra, mas dá que pensar quando o tema de abertura de Dark Matters, o álbum com que fazem prova de vida em 2021, foi composto enquanto pronta resposta à Primavera Árabe — que, como bem se recordam, está agora a soprar dez velas.