Há mais 33 espécies de “melgas” identificadas em Portugal

Projecto de uma equipa de investigadores da Universidade do Porto permitiu registar em Portugal mais 33 espécies de moscas-grua, insectos que também são conhecidos como pernilongos gigantes, mosquitos gigantes ou melgas.

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A Phylidorea ferruginea é encontrada frequeentemente perto de pântanos DR

Um projecto de investigação que reúne uma equipa internacional liderada por investigadores da unidade de investigação Biopolis que integra o Cibio-InBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, InBIO Laboratório Associado da Universidade do Porto), registou a distribuição de 102 espécies de moscas-grua também conhecidos como mosquitos gigantes ou melgas (mas que não picam as pessoas) em Portugal. Os dados estão publicados na plataforma internacional de acesso aberto GBIF (Global Biodiversity Information Facility).

Os resultados obtidos no trabalho de investigação agora divulgado adicionam 33 espécies à fauna nacional do grupo de insectos estudado, aumentando para 149 o número de espécies de mosca-grua conhecido em Portugal. Apesar de serem conhecidos também como mosquitos gigantes ou melgas, estes animais de longas patas gozam de uma infundada má fama porque são frequentemente confundidos com insectos picadores, ou seja, eventuais hematófagos. Porém, ao contrário do que se possa pensar, a mosca-grua não pica para sugar sangue e há mesmo algumas espécies que são predadoras de mosquitos (que picam). 

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A espécie Nephrotoma luteata DR

“[As moscas-grua] Não picam e não nos fazem mal. Este grupo de dípteros (moscas) é designado por Tipuloidea e inclui quatro famílias, mas apenas 3 destas estão já registadas em Portugal. É um dos grupos mais numerosos de dípteros com mais de 15630 espécies no mundo. Na Península Ibérica são conhecidas mais de 370 espécies, pelo que se suspeita que ainda haverá muitas espécies a registar na fauna de Portugal e que têm passado despercebidas aos cientistas”, refere o comunicado de imprensa sobre o trabalho do Cibio-InBIO. 

Os insectos desta espécie adultos podem medir entre 2 a 60 milímetros de comprimento (sem contar com as longas e finas pernas), e algumas espécies tropicais podem mesmo chegar até aos 100 milímetros de comprimento. “A maioria destas espécies apresenta uma coloração acastanhada, mas existem espécies que se destacam pelos seus padrões vibrantes de amarelo e preto. Na fase de larva, muitos destes insectos são encontrados em habitats aquáticos, enquanto outros ocorrem em áreas com elevada humidade”, esclarece ainda o comunicado.

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A Tipula repanda DR

Os cientistas reconhecem ainda que "os adultos de moscas-grua podem assemelhar-se à primeira vista a mosquitos gigantes, o que muitas vezes provoca medo e agitação nas pessoas quando são atraídos pelas luzes nas noites mais quentes” e admitem que “algumas espécies podem causar prejuízos, pois quando presentes em elevado número, as suas larvas alimentam-se de raízes causando danos apreciáveis na agricultura”.

Com este projecto de investigação foram adicionadas 33 espécies à fauna nacional do grupo, aumentando para 149 o número de espécies de moscas-grua conhecido em Portugal. Os dados que se podem consultar na base de dados internacional de acesso aberto Global Biodiversity Information Facility ​(GBIF) incluem ainda a disponibilização de códigos de barras de ADN para a identificação de 83 espécies. “Estes códigos de barras de ADN complementam as bases de dados públicas, possibilitando a realização de estudos visando uma melhor compreensão do seu papel nas redes tróficas e nos ecossistemas”, refere a nota de imprensa que recorda ainda que “através da identificação dos códigos de barras de ADN de espécies de insectos tinha sido já possível acrescentar 27 espécies à fauna nacional em 2020”. 

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