Exército britânico pronto para ajudar a distribuir combustível

Falta de camionistas provocou uma corrida aos postos de abastecimento, o que por sua vez criou a sensação de que o país ficaria sem combustíveis nos próximos tempos.

Foto
Os postos onde ainda há combustível têm longas filas de automobilistas EPA/NEIL HALL

O Governo do Reino Unido pôs o Exército britânico de prontidão para começar a distribuir combustível nesta terça-feira, numa tentativa de aliviar a falta de cem mil camionistas no circuito de distribuição que levou a uma corrida aos postos de abastecimento. O pânico em todo o território — que o Governo insiste em salientar que não está relacionado com uma escassez de combustível — provocou o receio de que o pessoal médico fique impossibilitado de chegar aos hospitais nos próximos dias.

Longas filas continuam a formar-se nos postos de combustível que ainda estão abertos nas principais cidades, embora dezenas de estações estejam já encerradas e com cartazes a informar que esgotaram a gasolina e o gasóleo.

Uma escassez de camionistas na sequência do “Brexit”, agravada pelas longas suspensões e proibições de circulação por causa da pandemia de covid-19, semeou o caos nas cadeias de abastecimento britânicas e criou o receio de escassez e de aumento de preços até ao Natal.

O ministro da Energia, Kwasi Kwarteng, disse que um número limitado de militares — 150, segundo a BBC — foi posto em estado de prontidão para distribuir combustível.

“Embora a indústria acredite que a procura vá regressar aos níveis normais nos próximos dias, tínhamos de tomar esta medida sensata de precaução”, disse Kwarteng num comunicado.

“Se for necessário, o destacamento de militares irá fornecer capacidade adicional à cadeia de abastecimento, como uma medida temporária para ajudar a aliviar as pressões causadas por picos na procura de combustível.”

As longas filas têm sido palco de algumas cenas de violência entre os automobilistas. E o pânico instalou-se na quinta maior economia do mundo nas últimas semanas, à medida que a escassez de camionistas foi sobrecarregando as cadeias de abastecimento, e que um aumento nos preços do gás natural na Europa deixou empresas energéticas à beira da falência.

Sem soluções rápidas

O Governo britânico, as empresas de combustível e os postos de abastecimento dizem que há reservas suficientes, e salientam que foi a falta de camionistas para a distribuição, combinada com o pânico, que criou a actual situação.

A gravidade da situação é tal que a British Medical Association pediu que os profissionais de saúde tenham acesso prioritário ao combustível, para garantirem que os serviços de saúde possam continuar a funcionar.

A procura por combustível levou a que 50% a 90% das bombas tenham secado em algumas áreas, de acordo com a Associação de Revendedores de Combustível britânica, que representa 65% dos 8380 postos no Reino Unido.

“Muitos automóveis estão a levar mais combustível do que o normal, e esperamos que a procura regresse aos seus níveis normais nos próximos dias, aliviando as pressões sobre os postos de abastecimento. Encorajamos todas as pessoas a comprar combustível como normalmente o fariam”, disse a associação num comunicado.

No entanto, as transportadoras, os postos de gasolina e os revendedores dizem que não há soluções rápidas, porque o défice de camionistas — estimado em cerca de cem mil — é muito significativo, e porque o transporte de combustível exige treino e licenciamento adicionais.

O Governo anunciou que também vai estender o prazo de validade das licenças específicas de veículos pesados que permitem aos camionistas transportar combustível.