Em “novo ciclo”, José Manuel Silva promete uma câmara de Coimbra “de portas abertas”

José Manuel Silva impede terceiro mandato de Manuel Machado e garante maioria na câmara. PS perde o seu presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses.

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Sérgio Azenha

“É muito importante que tenhamos conseguido eleger seis vereadores”, começou José Manuel Silva que, nestas eleições autárquicas, ganhou a Câmara Municipal de Coimbra ao PS de Manuel Machado. Faltava um minuto para a 1h quando o candidato da coligação Juntos Somos Coimbra, que junta o PSD e seis outros partidos, se dirigiu à sala de conferências do Hotel D. Inês para fazer o discurso de vitória. Diz que a maioria absoluta na câmara vai permitir “trabalhar com outra tranquilidade”, mas anunciou que continuará “aberto a trabalhar com todas as forças políticas que elegeram vereadores”.

Ao falar no “início de um novo ciclo”, diz que vai governar a câmara de Coimbra “de portas abertas, de janelas arejadas, de forma transparente e para as pessoas que esperam, às vezes, não pelas grandes obras, mas pelas pequenas modificações e pelos pequenos investimentos que fazem a diferença na vida das pessoas”.

As sondagens apontavam para uma corrida próxima e para uma noite de indefinição. Apesar disso, cedo começou a perceber-se que a Câmara Municipal de Coimbra poderia mudar de mãos. Mesmo antes de serem conhecidos os resultados oficiais, o socialista Manuel Machado, que concorria a um terceiro mandato, ligou a José Manuel Silva, que encabeçava a coligação Juntos Somos Coimbra, a dar-lhe os parabéns.  

“Acima de tudo, confirma-se a vontade das pessoas de Coimbra, que nós sentíamos na rua e que teve tradução nas urnas”, disse ao PÚBLICO, José Manuel Silva, quando ainda não era clara a distribuição dos mandatos e quando 7 das 18 freguesias estava por apurar. 

Ainda não eram 23h quando Manuel Machado desceu os degraus da sede de campanha, no número 46 da Avenida Sá da Bandeira, para falar aos jornalistas. No discurso de concessão não esclareceu se ficará no lugar de vereador, depois de, ao longo da campanha, ter dito que era candidato a presidente e não a vereador. Falou de uma “missão cumprida apesar de inacabada”, mas deixou a dúvida sobre o seu futuro: “Não é a hora da despedida. Quero que isto fique registado”.  

Antes, quando a RTP transmitiu as projecções para Coimbra, o ambiente na sede de campanha socialista era tenso. A possibilidade de perder a câmara foi acolhida com silêncio pelos apoiantes de Machado, apenas rompido pela reacção do líder da concelhia e vice da autarquia, Carlos Cidade. “Projecções são projecções”, dizia. Mas, pouco depois, as declarações de Manuel Machado, iam no mesmo sentido das projecções. 

“Cada um fará a sua interpretação” 

O presidente eleito entrou na sala onde discursou debaixo de uma estridente saudação dos apoiantes que estiveram ali a acompanhar os resultados. Por ali passaram Maló de Abreu, Mónica Quintela, mas também os responsáveis da concelhia e distrital do PSD, Carlos Lopes e Paulo Leitão, e o ex-reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, irmã de José Manuel Silva. 

O processo autárquico até começou atribulado no PSD. A estrutura local chegou a apontar o também médico, Nuno Freitas, como candidato à câmara. No entanto, Rio abriu mão de Freitas e indicou José Manuel Silva, que tinha já concorrido às eleições de 2017, pelo então movimento independente Somos Coimbra. Tinha elegido dois vereadores, um número que se compara com os três que o PSD tinha conseguido garantir no executivo municipal.  

E nesta noite autárquica, receia que Rui Rio possa apresentar Coimbra – uma aposta do líder do PSD – como “troféu eleitoral”? “Não faço leituras políticas, nem num sentido, nem noutro. Cada um fará a sua interpretação”, responde José Manuel Silva, que deixou ainda uma palavra a Manuel Machado. “Teve a gentileza de me telefonar. Não foi reconduzido, mas soube sair com dignidade do seu cargo, Isso foi muito importante”, referiu. 

Manuel Machado sabe o que é ter uma noite destas. Perdeu as eleições em 2001 para o PSD de Carlos Encarnação, também na corrida para a câmara de Coimbra, depois de ter sido eleito pela primeira vez em 1989. Passado um período de ausência, voltou a concorrer em 2013 e ganhou, tendo sido re-eleito em 2017. Concorria ao terceiro mandato. 

Os resultados oficiais não permitem ainda dissipar as dúvidas sobre a restante composição do executivo, mas os resultados apurados das 2h dão o candidato da CDU, Francisco Queirós, à frente do movimento Cidadãos por Coimbra. A confirmar-se, a coligação de comunistas e verdes elege um vereador e o movimento encabeçado por Jorge Gouveia Monteiro, que conta com o apoio do Bloco de Esquerda, volta a ficar de fora do executivo camarário, onde já teve um vereador, entre 2013 e 2017.

 

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