Ainda há 24 câmaras que não mudaram de cor

Contas feitas pelo PÚBLICO em Junho apontavam para um total de 31 câmaras que se mantinham fiéis ao mesmo partido. O número reduziu agora.

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Eleições decorreram neste domingo Rui Gaudencio

Contas feitas pelo PÚBLICO em Junho apontavam para um total de 31 câmaras que se mantinham fiéis ao mesmo partido desde a primeira eleição autárquica em 1976. Desde domingo passaram a ser 24.

Depois de 45 anos nas mãos do mesmo partido, as câmaras de Penela, em Coimbra, e de Cartaxo, em Santarém, mudaram neste domingo de cor: uma para o PS e outra para o PSD. Em Junho, eram 32 as autarquias que se mantinham fiéis a um partido, sendo que 12 eram do PSD, outras 11 do PS e nove da CDU.

Além do Cartaxo, o PS perdeu Reguengos de Monsaraz para o PSD. Já os sociais-democratas perderam também Ferreira do Zêzere para os socialistas.

Há quatro anos, eram 40 os concelhos do país que nunca tinham mudado de partido em eleições autárquicas — 16 do PSD, 13 do PS e 11 da CDU. Nessa altura, o cenário mudou e o número desceu para 31. Entre estas, havia algumas que se mantinham monocolores desde 1976 e outras desde a sua criação mais tardia, em 2001.

Alenquer, Campo Maior, Cartaxo, Condeixa-a-Nova, Gavião, Lourinhã, Odivelas, Olhão, Portimão, Reguengos de Monsaraz e Torres Vedras estavam na lista dos concelhos fiéis ao PS, algo que mudou agora no caso de Cartaxo e Reguengos de Monsaraz.

Arcos de Valdevez, Boticas, Calheta, Câmara de Lobos, Ferreira do Zêzere, Mação, Oleiros, Penedono, Penela, Santa Maria da Feira e Valpaços eram as mais fiéis ao partido da setinha. Desta vez, houve mudanças em Penela e Ferreira do Zêzere.

Já Arraiolos, Avis, Montemor-o-Novo, Moita, Mora, Palmela, Santiago do Cacém, Seixal e Serpa nunca tinham deixado de ser comunistas. Há quatro anos, a grande Câmara de Almada ainda fazia parte desse grupo, mas passou a ser gerida por Inês de Medeiros, do PS, que ganhou com 13 votos de diferença. Neste domingo, o grupo ficou sem Mora, Montemor-o-Novo e Moita.

Casos bicudos

Já se sabia de antemão que algumas das câmaras que nunca mudaram de partido, deveriam merecer uma atenção especial nestas eleições sob pena de algo mudar. Um deles era Reguengos de Monsaraz.

Em Reguengos, o autarca socialista José Calixto estava saída, forçado pela lei de limitação dos mandatos, e tentou mudar-se para o concelho vizinho de Évora. Isso deu alguma esperança à CDU e ao PSD, que normalmente disputam o segundo lugar. O que aconteceu agora?

Em Torres Vedras, o caso também parecia complicado à partida. O ex-autarca Carlos Bernardes, de 53 anos, apareceu morto em casa quase dois meses depois de a sua recandidatura ter sido aprovada, em Março, pela comissão política concelhia do PS, e a estrutura local lançou o nome da professora Laura Rodrigues, de 61 anos, que tinha ficado como presidente depois da morte de Carlos Bernardes.

Mas não só o PSD apostou forte em Torres Vedras — apresentando o deputado Duarte Pacheco — como houve uma divisão entre os socialistas que originou uma candidatura independente, liderada por Sérgio Galvão. Ganhou, afinal, a socialista Laura Rodrigues.

No caso de Palmela, que sempre foi comunista, outro independente também ameaçou pôr as coisas a mexer: trata-se de Carlos de Sousa, o ex-comunista que presidiu às câmaras de Setúbal (2001/2006) e Palmela (1993/2001).

Aos 69 anos, o candidato quis voltar ao sítio onde ganhou as eleições uma vez com 41,75% dos votos e outra com 50,44%. O actual presidente da câmara, Álvaro Balseiro Amaro, foi eleito em 2013 e recandidata-se pela CDU.

Notícia corrigida: Depois de termos acrescentado Vila de Rei como uma dos bastiões do PSD, voltámos a retirar a referência uma vez que, em 1985, foi eleito um autarca do CDS (sozinho) para presidir a este concelho.