“O BE teve um mau resultado”, reconhece Catarina Martins

A coordenadora bloquista aponta a transferência de votos do PS para a direita em Lisboa, onde manteve um lugar de vereação, e reconhece que teve maus resultados.

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O BE teve piores resultados do que em 2017 LUSA/MANUEL DE ALMEIDA

O balanço eleitoral do Bloco de Esquerda chegou no final da tarde desta segunda-feira e Catarina Martins foi directa ao assunto: o partido teve “um mau resultado”. A coordenadora bloquista reconheceu que o BE perdeu força (teve aproximadamente menos 33 mil votos e passou de 12 para quatro vereadores nestas eleições) e lamentou ainda que a direita tenha ganho a Câmara de Lisboa.

“Não aumentámos o número de votos. Conseguimos manter quatro em cinco votos”, apontou Catarina Martins, numa declaração aos jornalistas a partir da sede do partido.

A coordenadora bloquista fez também uma avaliação dos resultados da esquerda na Câmara de Lisboa, destacando que mantém um lugar entre os 17 vereadores.

O Bloco conseguiu eleger Beatriz Dias e manter o lugar na vereação”, destacou a líder bloquista, antes de realçar a derrota dos socialistas em Lisboa. “O PS perdeu milhares de votos para a direita. A esta perda não serão indiferentes os problemas próprios do PS em Lisboa, nos últimos meses, mas é também de considerar que a instrumentalização de fundos e políticas públicas na campanha nacional autárquica tenha tido resultados opostos aos que o PS nacional esperava”, considerou Catarina Martins, que durante a campanha acusou o secretário-geral do PS (e primeiro-ministro) António Costa de estar a usar a “bazuca europeia" para ganhar votos.

Na lista de vitórias bloquistas, Catarina Martins apontou a eleição da também parlamentar Joana Mortágua, vincando que caberá agora ao PS escolher com quem quer governar, a eleição da vereadora Carla Castelo em Oeiras e a estreia do BE no Porto, com a eleição de Sérgio Aires. “Rui Moreira vai finalmente ter oposição na câmara do Porto”, afirmou a líder bloquista.

O Bloco afastou ainda a hipótese de se coligar com a direita na câmara da capital, lembrando que a esquerda estará em vantagem no número de vereadores. A coligação encabeçada por Carlos Moedas elegeu sete vereadores, mas a soma dos vereadores eleitos pela coligação de Fernando Medina (sete), pela CDU (dois) e pelo BE (um) é superior em três vereadores.

“O BE não faz coligações com a direita”, vincou. “Existe uma maioria na câmara de Lisboa que pode travar retrocessos que a direita queira impor e o BE estará empenhado nesse trabalho.”

As declarações de Catarina Martins surgiram depois da reunião do Secretariado Nacional e antes da reunião da Comissão Política, que se reúne esta noite. O partido irá ainda reunir a Mesa Nacional para analisar os resultados destas eleições.

Sobre o Orçamento do Estado para 2022, Catarina Martins diz que a disponibilidade do BE e o seu caderno de encargos “se mantêm na íntegra”, até porque o documento orçamental é votado pelos 19 deputados parlamentares e não pelos resultados autárquicos.