Estudar Drake e The Weeknd? É possível, numa universidade no Canadá

Os artistas conhecidos por canções como God’s Plan ou The Hills vão ser estudados num semestre.

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Com 34 anos, Drake é já um dos rappers mais ouvidos à escala mundial EFE
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O cantor, que já ganhou três Grammys, tem origens etíopes, mas nasceu em Toronto Joshua Blanchard/Getty Images

A Universidade de Ryerson, no Canadá, dá a possibilidade aos alunos para saberem mais sobre as vidas de artistas de sucesso nascidos em Toronto. A disciplina chama-se “Desconstruir Drake e The Weeknd” estará disponível no próximo semestre, a começar em Janeiro de 2022, revela Dalton Higgins, o professor que vai leccioná-la. 

“Estamos na hora de reconhecer academicamente os nossos ícones canadianos do mundo do rap e do R&B”, justifica Higgins, citado pela CNN. “É pertinente para os académicos investigarem o cenário musical de Toronto que fez nascer artistas como Drake ou The Weeknd e que os ajudou a alcançar o sucesso”, acrescenta. Dalton Higgins é autor de seis livros e tem dado palestras e aulas em várias universidades sobre a cultura musical negra.

Para o professor, a cadeira destina-se sobretudo a dissecar os significados das letras dos artistas, que já alcançaram um impacto monumental na indústria da música. “Geralmente as pessoas esquecem-se que Drake é também um excelente escritor”, refere Higgins. “Entre metáforas, métricas e analogias, este artista usa todo o tipo de ferramentas literárias nas suas rimas, portanto é isso que vamos desconstruir para perceber melhor como é que ele pensa as suas canções.”

Drake, cujo nome real é Aubrey Graham, já alcançou vários marcos na sua carreira, por exemplo, ocupando por oito vezes o primeiro lugar do top 100 da Billboard, tendo sido o artista mais ouvido no Reino Unido por seis vezes e ganhando quatro Grammys.

O programa da disciplina inclui ainda o trabalho feito pelo artista com origens etiópias, Abel Makkonen Tesfaye ou The Weeknd, como é mais conhecido. O cantor também já galardoado com Grammys é ainda um activista e em Abril chegou mesmo a doar um milhão de dólares (854 mil euros, ao câmbio actual) ao Programa contra a Fome Mundial das Nações Unidas, de forma a ajudar a Etiópia. The Weeknd tem sido ainda uma figura crítica da própria indústria musical, tendo já boicotado e recusado lançar novas músicas para a cerimónia dos Grammys que segundo o mesmo é “corrupta” e preconceituosa para com artistas negros e mulheres.

“Quando temos estes dois artistas negros e canadianos de Toronto que produzem rap, R&B e pop, e estão a caminho de se tornarem bilionários, há muito que podemos aprender com eles”, insiste Higgins, para quem também é importante que os alunos aprendam a visão empreendedora dos dois cantores que, embora tenham origens humildes, chegaram ao topo. O objectivo desta formação é pôr os alunos a reflectir sobre como é que a música, a vida e as desigualdades sociais estão constantemente interligadas, acrescenta.