Três perguntas a Bradley Wiggins sobre os Mundiais de ciclismo

Ao PÚBLICO e ao Eurosport, o ex-campeão da Volta a França fez a antevisão aos Mundiais cuja prova de fundo masculina terá seis corredores portugueses, entre os quais João Almeida.

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João Almeida vestirá as cores portuguesas nos Mundiais LUSA/TIAGO PETINGA

Corre-se neste domingo a corrida de fundo dos Mundiais de ciclismo. Para a crème de la crème dos Mundiais está desenhado um percurso ao estilo das maiores clássicas do ciclismo, esperando-se estradas estreitas, pisos irregulares – e de vários tipos –, subidas curtas e íngremes e zonas de plano com previsão de vento. É, portanto, um percurso muito duro e que requer características específicas para aquele que tentará suceder a Julian Alaphilippe como campeão do mundo, numa prova que estará na estrada das 10h30 até por volta das 17h (Eurosport).

Quem é que Portugal leva para essa missão? João Almeida é a estrela de uma selecção nacional que não terá o único campeão do mundo da história do ciclismo português: Rui Costa analisou o percurso e, considerando que não se adequava às suas características, pediu ao seleccionador nacional para levar um corredor apto a ajudar melhor a equipa.

João Almeida (Deceuninck), Nélson Oliveira (Movistar), Ruben Guerreiro (EF), Rui Oliveira (Emirates), Rafael Reis (Efapel) e André Carvalho (Cofidis) estão numa equipa de seis elementos e, apesar de levar João Almeida, grande nome do ciclismo português e recentemente campeão das Voltas à Polónia e ao Luxemburgo, Portugal terá de esfriar o ímpeto vencedor.

O percurso está longe de encaixar nos predicados do ciclista português, que gosta de subidas mais longas e constantes do que dos “muros” curtos da Flandres. Ainda assim, conseguindo estar no grupo principal nos últimos quilómetros, Almeida poderá fazer valer as virtudes no contra-relógio e até num eventual sprint em grupo reduzido – algo em que, excluindo sprinters, é dos mais fortes do pelotão.

José Poeira, seleccionador nacional, falou à Lusa de um Mundial “imprevisível” e desadequado às características dos corredores portugueses. “Nem todos [os ciclistas portugueses] estão habituados a fazer. Há uns que se adaptam mais, outros que se adaptam menos, mas é sempre uma corrida que é uma incógnita”, disse à Lusa o seleccionador português. O Rui Oliveira tem feito ali algumas competições e até gosta. O Nélson Oliveira também fez algumas provas ali e também gosta. É uma corrida um bocado de sorte, para além da perspicácia”, anteviu o seleccionador, referindo-se especificamente à “prova rainha” dos Mundiais, a de fundo de elites.

Entre os favoritos, Wout van Aert é o mais evidente candidato ao triunfo, mas nomes como Mathieu van der Poel, Sony Cobrelli, Thomas Pidcock, Marc Hirschi, Remco Evenepoel, Jasper Stuyven ou mesmo o próprio campeão do mundo, Julian Alaphilippe, que provavelmente teria preferido um percurso com subidas ainda mais duras. Também o bloco da Dinamarca, com ciclistas muito versáteis e fãs deste tipo de corrida, ou o trio da Eslovénia, com Matej Mohoric​ (em grande forma), Tadej Pogacar e Primoz Roglic, poderão ter uma palavra a dizer.

Três perguntas a Bradley Wiggins

Quem vai ser o campeão mundial?

Para mim há um claro favorito, que é o belga Wout van Aert. É o homem que fez história este ano ao ganhar incrivelmente uma etapa de montanha na Volta a França, uma espectacular vitória em contra-relógio e uma etapa de sprint muito impressionante nos Champs-Élysées. Para mim, quase parece que está destinado a ser uma vitória para Wout Van Aert.

O que acha do palco dos Mundiais?

Flandres é a capital do ciclismo, com momentos históricos e lar de alguns nomes icónicos do desporto. Um Mundial na Flandres garantirá fãs incríveis ao longo da estrada, percursos de empedrado, vento, a possibilidade de chuva e… muita cerveja. Pessoalmente, não consigo pensar num lugar melhor para ter um Mundial.

O que é preciso para vencer?

“O vencedor tem de ser capaz de ganhar clássicas de um dia, com mais de 250 km e com mais de 200 adversários a tentarem fazer a mesma coisa. Tendo isso, precisa de uma equipa suficientemente forte para o apoiar. Há equipas que podem levar nove ciclistas, por exemplo”.