Cancro da tiróide: um problema comum na mulher jovem

Ser jovem e ser mulher são dois factores de risco para o desenvolvimento de cancro da tiróide. Estes carcinomas bem diferenciados têm melhor prognóstico e na maioria dos casos o tratamento é curativo.

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Ava Sol/Unsplash

Não há apenas um cancro da tiróide. A tiróide é uma glândula produtora de hormonas, que pode sofrer alterações funcionais, simplesmente por produção diminuída ou em excesso (hipo ou hipertiroidismos que se tratam em regra com medicação), ou alterações morfológicas, tumorais, que se traduzem pelo aparecimento de nódulos, maiores ou mais pequenos, benignos em mais de 90% dos casos.

Quando estes nódulos são malignos, temos então os diferentes cancros da tiróide. As variedades muito mais frequentes são os designados “carcinomas bem diferenciados da tiróide”: O carcinoma folicular com maior incidência entre os 40 e os 60 anos; e o carcinoma papilar, o mais comum de todos, com grande incidência a partir dos 30 anos de idade, atingindo as mulheres três vezes mais do que os homens. Ser jovem e ser mulher são dois factores de risco para o desenvolvimento de cancro da tiróide. Estes carcinomas bem diferenciados têm melhor prognóstico e na maioria dos casos o tratamento é curativo.

Nas últimas décadas, a maior acessibilidade aos cuidados médicos trouxe um aumento significativo do número de tumores da tiróide, não por um verdadeiro incremento da doença, mas por um aumento da acuidade diagnóstica: maior número de exames realizados com melhor capacidade de detecção pelos equipamentos de imagem mais recentes.

Em simultâneo, a sociedade tem evoluído no sentido de constituir novas famílias mais tarde, vindo as mulheres a serem mães depois dos 30. A conjugação destes factores proporciona, por vezes, a coincidência do planeamento da maternidade no mesmo tempo em que, de forma imprevista, é diagnosticado um cancro da tiróide. Quando tal acontece, deve ser primeiro tratado este, o que obriga a diferir os planos familiares por um ou dois anos (menos tempo, se a cirurgia for bem sucedida e curativa; mais tempo, se depois da cirurgia for necessário um tratamento adjuvante com iodo radioactivo). Se o diagnóstico surpreende uma gravidez já em curso, é sempre possível o tratamento, embora com maiores riscos para a mãe ou para o feto, obrigando a equipa médica a cuidados adicionais. Em qualquer situação, os diferentes especialistas envolvidos avaliam, em conjunto, qual o tratamento mais adequado para cada pessoa e cada caso.

Contudo, é importante deixar uma mensagem de esperança: o cancro da tiróide tem tratamento e é dos tipos de cancro que têm uma das melhores taxas de sobrevivência. Exige um diagnóstico precoce e orientação por equipas de saúde diferenciadas.

Não existe nenhuma recomendação com fundamentação científica para fazer exames da tiróide a todos nós. Se tem essa preocupação, deve questionar o seu médico de família: ele vai proceder a uma observação com palpação do pescoço, e quererá saber mais sobre si — como se sente, se tem algum familiar com cancro da tiróide, uma síndrome genética, ou se esteve exposto a radioactividade. Só depois desta consulta o médico deverá decidir se se justificará ou não realizar exames à tiróide.

E o que pode fazer para diminuir o risco de ter um cancro da tiróide? Deve ter uma alimentação diversificada e adequada no aporte de iodo: encontrá-lo-á nos produtos do mar, nas águas de abastecimento público quando devidamente controladas (não o tem nas águas engarrafadas), e no sal de mesa quando devidamente iodado, tal como recomenda a Organização Mundial de Saúde. Pode ainda reduzir o risco diminuindo a sua exposição à radioactividade, por exemplo, não fazendo exames radiográficos desnecessários, e usando um colar cervical que lhe deve ser colocado ao pescoço sempre que faz radiografias do tórax, da coluna dorsal, do crânio ou dentárias (todas as crianças e jovens que fazem Rx dentários para tratamentos de correcção ortodôntica ou outros deveriam colocar sempre esta protecção).

O cancro da tiróide pode não causar qualquer sintoma de início, mas, ao crescer, pode provocar dor ou uma saliência no pescoço. É importante estar atento a sinais ou sintomas que surgem de novo e procurar avaliação médica. Agir atempadamente é fundamental!