A iconografia política

Quem, por estes dias, circulou um pouco pelo país e observou os cartazes da campanha para as eleições autárquicas terá certamente reparado que as “visibilidades políticas”, como se diz num jargão a imitar a linguagem dos conceitos, são pouco estimulantes e, muitas vezes, até suscitam alguma repulsa de ordem estética que contamina a ressonância que tem em nós a política, na sua dimensão mais imediata e pragmática. De um modo geral, os cartazes são graficamente desastrosos, as fotografias dos candidatos são autênticos “cromos” e as formações discursivas que os acompanham raramente são mais elaboradas.