Ryder Cup entre o favoritismo dos EUA e a experiência da Europa

Três anos depois o mais mediático evento do golfe mundial está de volta no Wisconsin

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Bem disposta, a equipa europeia fez uma manobra de charme junto do público americano © Ryder Cup Europe

22 anos decorridos a Ryder Cup volta a realizar-se em ano ímpar – a última vez tinha sido em 1999. Tinha passado para anos pares quando a edição de 2001 foi adiada para 2002 devido aos atentados terroristas de que os EUA haviam sido alvo pouco tempo antes. Agora adiada de 2020 por um ano devido à pandemia de covid-19, o encontro bienal por equipas entre os Estados Unidos da América e a Europa – o 43.º da história – regressa entre esta sexta-feira e domingo no Whistling Straits Golf Club, Sheboygan, Wisconsin (EUA), um cénico design de Pete Dye, nas margens do Lago Michigan. 

Será a primeira Ryder Cup desde 1993 sem os hoje já veteranos Tiger Woods ou Phil Mickelson. O primeiro recupera ainda de um grave acidente rodoviário sofrido em Fevereiro em Los Angeles, o segundo não conseguiu dar continuidade ao brilharete de Maio, quando se tornou com 50 anos o mais velho vencedor no Grand Slam do golfe, por ocasião do PGA Championship. 

A selecção dos EUA é liderada pelo capitão (não-jogador) Steve Stricker, o qual tem como motivação adicional o facto de desempenhar a função no seu estado natal do Wisconsin, sendo ele de Edgerton. Os norte-americanos procuram vingar a pesada derrota de há três anos em Paris, quando perderam por sete pontos de diferença (10,5-17,5). 

A Europa é comandada pelo irlandês Padraig Harrington, que tem o Portugal Masters de 2016 como o seu 15.º e último título no European Tour até ao momento. Harrington, um triplo campeão de majors, tem 50 anos, Stricker 54. Harrington jogou seis Ryder Cups consecutivas entre 1999 e 2010, Stricker esteve em três – 2008, 2010 e 2012. 

Houve uma manobra de charme da Europa junto do público americano no dia de treino de quarta-feira, aparecendo os jogadores com as cores da equipa de futebol americano dos Green Bay Packers e com cheeseheads  na cabeça. Cheesehead , junção das palavras "queijo" e "cabeça", é a alcunha para os americanos do Wisconsin, estado conhecido como a "America's Dairyland", ou seja, a capital dos lactínios.

"Todos gostaram, como pudemos ver", disse Harrington. "Todos estamos aqui para nos darmos bem com o público. Não há dúvidas sobre isso. Obviamente, não podemos dar autógrafos esta semana devido à covid,  algo que tradicionalmente faríamos. Mas estes adeptos vieram e vieram num dia frio. Vieram para nos ver e queremos dar-lhes algo para ver."

No papel, os Estados Unidos são favoritos. Entre os seus 12 jogadores, tem nada menos do que oito dentro do top-10 do ranking mundial, contra apenas um dos rivais – mas este é o n.º 1 da tabela, o espanhol Jon Rahm. Outra diferença abissal no ranking mundial é a média de lugares no mesmo para a dúzia de elementos de cada lado. Os EUA, com média de 9, a Europa com 30. Mas a verdade é que a teoria de nada tem valido perante a prática: nos últimos 20 anos, os EUA ganharam apenas duas vezes (2008 e 2016), ambas a jogar em casa. 

Pese embora a classe dos norte-americanos, a experiência é um factor importante na Ryder Cup, e, neste capítulo, os europeus são mais fortes. Os EUA têm nada menos do que seis estreantes – Collin Morikawa, Xander Schauffele, Harris English, Daniel Berger, Scottie Scheffler e Patrick Cantlay, este recém sagrado campeão da FedEx Cup. A Europa tem apenas três rookies – o irlandês Shane Lowry, o austríaco Bernd Wiesberger e o norueguês Viktor Hovland. 

Mais, a média de idade dos europeus é de 34.6, a dos americanos 29.1. Dos três wild cards a que tem direito, Padraig Harrington escolheu dois jogadores na faixa etária dos 40 anos – o inglês Ian Poulter (45) e o espanhol Sergio Garcia (41). O terceiro foi Shane Lowry (34). O inglês Lee Westwood, com 48 anos, é o mais velho entre os 24 jogadores. E há outro veterano inglês, Paul Casey (44). 

No cômputo das 42 edições anteriores da Ryder Cup, os EUA venceram 26, perderam 14 e empataram duas. Mas a Europa leva vantagem desde que em 1979 a equipa da Europa no seu todo substitiuiu a equipa da Grã-Bretanha-Irlanda que até aí vigorava: 11 vitórias para a Europa, oito derrotas e um empate. 

A Ryder Cup compreende um total de 28 partidas, das quais 16 de pares e 12 de singulares. Cada uma vale um ponto pela vitória e meio ponto pelo empate. A primeira equipa a ultrapassar os 14 pontos conquista o troféu. Em caso de empate, a detentora do mesmo, no caso a Europa, mantém a a sua posse. 

Na sexta-feira e no sábado, jogam-se os pares, com duas sessões em cada dia, de manhã quatro de oursomes (pancadas alternadas com a mesma bola), de tarde quatro de ourball (à melhor bola). 

CONSTITUIÇÃO DAS EQUIPAS *

EUA

Apurados directos

Collin Morikawa (Rookie)

Dustin Johnson (5.ª Ryder Cup)

Bryson DeChambeau (2.ª)

Brooks Koepka (3.ª)

Justin Thomas (2.ª)

Patrick Cantlay (Rookie)

Wild Cards

Tony Finau (2.ª)

 Xander Schauffele ( Rookie)

Jordan Spieth (4ª)

Harris English (Rookie)

Daniel Berger (Rookie)

Scottie Scheffler (Rookie)

EUROPA

Apurados directos

Jon Rahm (2.ª Ryder Cup)

Tommy Fleetwood (2ª)

Tyrrell Hatton (2ª)

Bernd Wiesberger (Rookie)

Rory McIlroy (6ª)

Viktor Hovland (Rookie)

Paul Casey (5ª)

Matthew Fitzpatrick (2ª)

Lee Westwood (11ª)

Wilds cards

Shane Lowry (Rookie)

Sergio Garcia (10ª)

Ian Poulter (7ª)

*Os critérios de constituição das equipas diferem entre elas

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