No seu “primeiro grande desafio”, Inês quer ser “a boa surpresa”

A porta-voz andou em campanha nas ruas da Amadora com grande energia. O fim das touradas foi um dos temas abordados e Inês Sousa Real está segura que vai convencer o Governo a deixar de dar dinheiros públicos para esta actividade.

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A porta-voz do PAN esteve esta quarta-feira na Amadora Rui Gaudencio

Inês Sousa Real chega ligeiramente atrasada à Praceta do Infantário, na freguesia de Águas Livres, na Amadora. À sua espera para mais uma acção de campanha para as autárquicas de domingo está uma dezena de apoiantes do Partido Animais-Natureza (PAN). A porta-voz do partido é conduzida por uma assessora num pequeno carro de dois lugares. Está com a cara parcialmente tapada por uma máscara amarela com o símbolo do PAN, mas os seus olhos mostram que está sorridente. Apesar deste ser o seu “primeiro grande desafio” como líder do partido, acredita que vai ser “a boa surpresa da noite eleitoral”.

Na pré-campanha e campanha, Inês teve quase sempre uma agenda muito cheia. Em alguns dias, como nesta terça-feira, teve “cinco e seis acções por dia”. “A campanha está a correr muito bem. É visível que as pessoas já conhecem bem o PAN e as suas propostas”, diz.

Apesar se ter sido eleita porta-voz do partido apenas a 6 Junho, as pessoas também já a reconhecem como líder do PAN. “Há gente de todas as idades a aproximarem-se ao partido, mesmo em zonas onde no passado não se identificavam muito com as nossas propostas. Estou a gostar muito deste meu primeiro grande desafio como porta-voz. Sinto muita energia, apesar de não estar ainda a 100% em termos de saúde”, afirma, referindo-se às duas vértebras que fracturou na véspera de ser eleita líder.

Na eleição autárquica de 2017, o PAN conseguiu na Amadora 3,23% para a autarquia (2009 votos) e 4,11% para a assembleia municipal (2571 votos), elegendo um deputado. Agora, o candidato Carlos Macedo, que acompanha a deputada do partido, quer mais.

“Queremos eleger um vereador e um grupo parlamentar com quatro ou cinco deputados. E não é uma miragem, estamos conscientes e vamos conseguir”, diz este profissional de seguros, de 53 anos, lembrando que o partido tem pela primeira vez candidatos às seis freguesias da Amadora, no distrito de Lisboa.

A nível nacional, o PAN concorre a 43 câmaras municipais e 69 juntas de freguesia, sendo que em três vai em coligações (Aveiro, Cascais e Madeira). “O partido ambiciona eleger vereadores em várias cidades. Vamos reforçar e aumentar a representação do partido. Estou muito segura que isso vai acontecer. Está tudo a correr muito bem”, reafirma.

Houve apenas um local onde Inês Sousa Real reconhece que as coisas não correram bem. Foi há dois dias, no Montijo, onde foi recebida com assobios e insultos por um grupo de defensores das touradas. “Foi mais uma violação grosseira do direito de manifestação e de censura à liberdade de expressão. É lamentável que a PSP não tivesse impedido aquelas ofensas ao PAN e à democracia”, acrescenta.

A decorrer está ainda o inquérito que apresentou recentemente no Ministério Público, depois de ter sido alvo de ameaças de morte. Mas a porta-voz do PAN garante não haver ameaça que a silencie: “Nunca permitirei que limitem a nossa actuação. Nunca.”

O combate pelo fim da tauromaquia em Portugal tem sempre estado, e “continuará a estar presente”, nas conversações com o Governo com vista à aprovação do Orçamento do Estado para 2022. A líder do PAN está convencida de que será este ano “que as touradas deixaram de ser beneficiadas com dinheiros públicos”.

“Os apoios têm de acabar. Não faz sentido que o Estado seja o balão de oxigénio da tortura de animais. Isso vai acabar”, assegura.

Inês Sousa Real andou ainda cerca de uma hora e meia pelas ruas da Amadora, sempre com grande energia. Inteirou-se dos “graves problemas da falta de habitação e de habitação degradada” no município, da “pouca qualidade da mobilidade”, dos espaços municipais “ao abandono ou não utilizados”, dos cuidados aos animais que ainda estão para fazer.

Respondeu de pronto às muitas perguntas que os jornalistas tinham para lhe fazer, mostrando estar preparada em todos os temas e lá partiu para mais uma acção de campanha. Teve duas até à hora de almoço e na tarde/noite esperavam-na mais três. Uma das quais a participação junto ao Campo Pequeno em mais uma manifestação anti-touradas.