Urgência do hospital de Torres Vedras encerrada devido a “sobrelotação”

O Sindicato Independente dos Médicos enviou esta terça-feira um ofício para o conselho de administração do Centro Hospitalar do Oeste (onde se inclui a unidade de Torres Vedras) a exigir a contratação de médicos. Também a Ordem dos Médicos alertou para “47 macas nos corredores” do Hospital de Setúbal.

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imagem de Arquivo Nelson Garrido

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) alertou esta terça-feira para o encerramento do Serviço de Urgência do Hospital de Torres Vedras. De acordo com o SIM, aquele serviço está “encerrado às ambulâncias e aos cidadãos” e desde esta segunda-feira que se acumulam “dezenas de macas” no hospital. “Desde ontem [20 de Setembro] que, por sobrelotação, não recebe doentes”, escreve o SIM numa nota publicada no site oficial.

O sindicato refere ainda que enviou esta terça-feira um ofício para o conselho de administração do Centro Hospitalar do Oeste (onde se inclui a unidade de Torres Vedras) a exigir a contratação de médicos.

No ofício, o SIM relata que “as equipas do Serviço de Urgência de Torres Vedras não cumprem os níveis de segurança necessários, exigidos pelos critérios mínimos definidos pela Ordem dos Médicos. Trata-se de uma situação inadmissível, que coloca em risco a segurança na prestação de cuidados à população abrangida por esta instituição.”

Ordem dos Médicos alerta para “47 macas nos corredores” do hospital de Setúbal

Na segunda-feira, a Ordem dos Médicos (OM) constatou que o hospital de Setúbal (São Bernardo) tinha 47 doentes em macas nos corredores do serviço de urgência, situação que atribuiu à “carência crónica” de clínicos, agravada nos últimos anos.

“Visitámos os serviços de urgência e obstetrícia e verificámos, por exemplo, que a urgência tinha, para além dos atendimentos e das pessoas internadas, 47 macas nos corredores, o que demonstra a insuficiência da capacidade do hospital”, adiantou à Lusa o presidente do conselho regional do Sul da OM, Alexandre Valentim Lourenço. No seu entender, este hospital confronta-se com uma “carência crónica de médicos que tem piorado cada vez mais”, ao mesmo tempo que as “obras que estão previstas há mais de cinco anos no serviço de urgência ainda não começaram”.

“Esta pandemia apenas mascarou as graves deficiências do hospital”, disse Alexandre Valentim Lourenço, para quem, nos últimos dois anos, o hospital “não tem conseguido captar” os médicos que terminam a especialidade na própria unidade de saúde e que, “por dificuldade de contratação imediata”, acabam para ir para outros hospitais públicos ou privados.

O hospital “contrata sistematicamente empresas externas que enviam tarefeiros que não têm nenhuma ligação ao hospital” e que não resolvem a falta de clínicos em algumas especialidades, disse. “A oncologia tinha oito médicos há dois anos e neste momento tem dois, o que significa que a maior parte dos cancros que eram tratados pela oncologia médica já estão a ser desviados para outro hospital. A obstetrícia deveria ter 21 médicos e tem 11, dos quais oito têm mais de 57 anos, dois já pediram a reforma este ano e dois pedem no ano seguinte por excesso de idade”, exemplificou.

Em 25 de Agosto, o hospital de Setúbal reconheceu dificuldades na contratação de médicos para as escalas das urgências, mas garantiu que o serviço estava a funcionar normalmente.

Segundo o gabinete de comunicação do centro hospitalar, o número de médicos no hospital tem aumentado nos últimos três anos e passou de 393 mais 82 em regime de “prestação em regime individual” em 2018, para 400 mais 100 prestadores de serviços em 2020, não tendo fornecido números relativos a 2021.