Satisfeito com o seu trabalho, BE quer manter pelouro dos Direitos Sociais

Se voltar a haver acordo pós-eleitoral com Medina, Beatriz Gomes Dias já sabe com que pasta quer ficar. Candidata visitou centro de acolhimento a sem-abrigo em Arroios.

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Beatriz Dias e Isabel Pires durante a visita ao dormitório masculino LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Na campanha autárquica de Lisboa não é só Fernando Medina que anda a mostrar obra feita. O BE, que neste mandato teve um acordo de governação com o socialista que lhe pôs nas mãos os Direitos Sociais, reclama méritos na gestão do pelouro e foi esta terça-feira mostrar o novíssimo centro de acolhimento temporário para pessoas sem-abrigo.

Por novíssimo entenda-se isso mesmo: o equipamento instalado no antigo quartel de Santa Bárbara, à Rua Jacinta Marto, abriu portas na semana passada. E a visita foi um misto de despedida de Manuel Grilo, actual vereador bloquista, e acção de campanha de Beatriz Gomes Dias. Uma espécie de passar de pasta.

“Mudámos o paradigma de resposta às pessoas sem-abrigo”, disse a candidata, revelando que esta é uma área de trabalho que o partido pretende manter no futuro. “Queremos continuar esta resposta, queremos alargar o housing first. Esta resposta resultou porque tínhamos um acordo com o PS. Queremos continuar no próximo mandato”, afirmou.

Qual é então a resposta que os sem-abrigo encontram no espaço recém-aberto? Palavra a Manuel Grilo, vereador cessante, que fez as vezes de anfitrião. “O primeiro objectivo é retirar da rua as pessoas de Arroios, dos Anjos, do Regueirão dos Anjos, da Almirante Reis, que é um local de concentração histórica desta população”, explicou. Com capacidade para 128 pessoas, o centro permite a recepção de animais, tem uma área dedicada aos consumos e serviços médicos. “Ninguém é rejeitado aqui”, afirmou o eleito.

Depois de quase ano e meio de funcionamento, a câmara encerrou em Julho o acolhimento de emergência a sem-abrigo no Pavilhão do Casal Vistoso, por onde passaram quase 700 pessoas. Nenhuma delas virá para aqui, garantiu Paulo Santos, coordenador da equipa camarária responsável pelo plano municipal dedicado a esta população. “Isto é uma aposta na diversificação. O que queremos não é adaptar as pessoas às respostas, mas as respostas às pessoas”, garantiu. Actualmente há 14 utentes.

Adiana Silva, da associação Vitae, guiou a comitiva bloquista. Mostrou uma sala de enfermagem, uma sala de admissão, um gabinete médico e uma sala polivalente. “Tem imensa luz”, comentou Beatriz Dias a dado ponto. No dormitório masculino, onde as camas exibiam edredons com um padrão parecido a leopardo, estão actualmente sete pessoas e uma cadela, a Lassie. Cada cama tem ao lado um cacifo, uma tomada e uma janela.

“Sente que as pessoas estão confortáveis?”, quis saber Beatriz Dias. “Sim, sim. Até há aí um senhor que já disse que ia chamar os amigos que dormem por aí”, assegurou Adiana Silva, explicando que as pessoas chegam devido ao “passa palavra”.

A candidata bloquista conheceu depois a rouparia, onde os utentes podem pedir roupa lavada, uma sala de jogos e uma sala de informática onde haverá algum apoio para a criação de currículos e procura de emprego. Visitou depois o espaço que há-de ser refeitório, com azulejos e colunas gregas nas paredes, ainda vazio. Por enquanto as refeições tomam-se na sala de convívio. “O objectivo é ali ser uma biblioteca construída por eles”, disse Adiana Silva.

Aproveitando uma experiência-piloto que correu bem no Casal Vistoso, a associação Ares do Pinhal montou neste centro uma sala específica para o consumo de álcool. “Este é um espaço de convívio”, sublinhou Elsa Belo, directora técnica daquela associação, acrescentando que o objectivo é “trabalhar com as pessoas de forma a poder mudar comportamentos, mas sem obrigar”.

Aqui os utentes podem ter acesso a medicação de substituição do álcool e a consultas especializadas de dependências ou doenças infecciosas. “Não é possível olhar para a situação do sem-abrigo sem esta componente, tem de haver um espaço para as dependências”, afirmou Elsa Belo.

“Ó, equipa! Venham conhecer a candidata do Bloco!”, disse aos seus colegas, antes de garantir que estavam num “serviço único em Portugal”. “E na Europa não sei bem”, atirou. “Beatriz, se estiver na câmara, Deus queira que sim, olhe, já sabe com o que conta. Lute por isto!”

Pouco depois, na despedida, Manuel Grilo teve palavras de balanço. “Isto é o que temos para mostrar. E temos algum…algum não, muito orgulho nesta resposta.”