Só faltava a oficialização: Rui Costa vai a votos no Benfica

O tabu está desfeito – se é que alguma vez existiu – e o ex-futebolista anunciou oficialmente a candidatura nesta terça-feira, numa declaração num hotel em Lisboa. O líder “encarnado” falou de clareza e proximidade, mas não houve direito a perguntas.

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Rui Costa durante o discurso de lançamento da candidatura LUSA/MIGUEL A. LOPES

Rui Costa, actual presidente do Benfica, vai apresentar-se às eleições agendadas para 9 de Outubro. O tabu está desfeito — se é que alguma vez existiu —, depois de o ex-futebolista ter anunciado oficialmente a candidatura, numa curta declaração feita num hotel em Lisboa.

Ao início da tarde, o convite à imprensa já tinha sido feito por um e-mail cujo endereço continha “slbruicosta21-25”, remetendo para o mandato 2021-2025 que começará após o próximo acto eleitoral. Estava, portanto, pré-anunciado o teor de uma comunicação, sem direito a perguntas, em que Rui Costa foi parco em palavras, mas claro: “É com o Benfica no coração que estou aqui a anunciar que sou candidato à presidência do clube”.

O dirigente, que assumiu a liderança interina do clube em Julho, após o afastamento de Luís Filipe Vieira, envolvido em processos criminais, vai assim enfrentar o primeiro sufrágio da carreira. É, para já, o claro favorito à vitória, até pela ausência já anunciada de João Noronha Lopes, candidato que mais sombra tinha feito a Vieira nas últimas eleições.

Rui Costa, que, até ver, terá a concorrência de Francisco Benítez, foi poupado nas palavras e, perante uma imprensa sem direito a perguntas, apontou que quer “rigor, clareza e proximidade com os sócios”.

“Apresento-me a eleições com a ambição de reconduzir o Benfica ao caminho da glória e unir todos os que amam o clube como eu. Comprometo-me aqui perante todos a dedicar a minha energia e sabedoria para iniciar um novo ciclo de vitórias. Vencer é sempre a minha maior exigência, a mesma que tive quando vesti o manto sagrado. Nos próximos dias darei a conhecer o meu programa de acção, para um futuro ganhador, à Benfica. Este é um projecto aberto à participação de todos, centrado no Benfica”, acrescentou.

E explicou o motivo da candidatura: “São muitas as razões que me levam a dar este passo. Respiro Benfica desde que nasci. Faz amanhã 30 anos desde o meu primeiro jogo oficial pelo Benfica, foi aqui que me fiz homem e foi o Benfica que me projectou para o mundo. Apresento-me orgulhoso da nossa história e convicto de que construiremos um futuro ainda mais radioso. Este é um dos momentos mais importantes da história do clube, que precisa de todos os benfiquistas. Jamais poderia deixar de responder à chamada”.

O actual líder do clube, que seguiu a mesma estratégia de comunicação (sem direito a perguntas) do dia da sua apresentação formal, no relvado do Estádio da Luz, falou ainda de um caminho eleitoral que pretende fazer a par do universo benfiquista. “Este é um projecto aberto à participação de todos, centrado no engrandecimento do Benfica, que é o que mais nos apaixona e mais nos motiva. O Benfica é de todos nós, de todos os benfiquistas, e isso eu nunca esquecerei. Com todos, por todos, pelo Benfica”, concluiu.

“Passadeira vermelha”

Rui Costa parte para estas eleições como o “filho” da Luz cuja chegada ao poder era vista pelos adeptos como uma questão de tempo. O antigo médio é dirigente do clube desde 2008 (primeiro como director-desportivo e depois como administrador da SAD) e o plano era, em tese, ser o sucessor de Luís Filipe Vieira no final do mandato, mas a teia criminal em que se envolveu o antigo presidente precipitou a subida ao “trono”.

Rui Costa tem, agora, dois caminhos para se apresentar aos sócios: renovar a direcção do clube, dando-lhe uma “cara lavada” depois dos inúmeros processos judiciais para os quais foi arrastada, ou manter a estrutura com que trabalhou nos últimos anos. Seja qual for a opção do actual líder, uma coisa parece certa nesta fase: parte para as eleições com um “balão” futebolístico bem cheio — e sabe-se como o sucesso momentâneo no futebol influi no sentido de voto.

Com a entrada na Liga dos Campeões, a liderança do campeonato e a melhoria exibicional relativamente a 2020-21, tudo parece estar a correr de feição a Rui Costa, que poderá ver os resultados desportivos sobreporem-se aos efeitos nefastos que poderiam advir da presença prolongada na direcção de Luís Filipe Vieira.

Há, ainda, um dado adicional. Rui Costa e a actual direcção decidiram ir ao encontro do pedido de vários sócios acerca do voto físico — menos moderno, mas mais fiável, dizem os benfiquistas — e da cobertura das eleições por parte do canal do clube, como espaço plural para todas as candidaturas. 

No campo e fora dele, Rui Costa parece estar a montar o favoritismo claro nas eleições. Faltará o resto — e Francisco Benítez vai à luta para dificultar essa tarefa.