Barcelona salvo pelo “chuveirinho”

A equipa de Ronald Koeman, de futebol rudimentar, acabou o jogo a fazer cruzamentos para dois centrais que faziam de avançados. O famoso “chuveirinho” (que Ronald Araújo assumiu no final não ter sido treinado) resultou, mas o Benfica poderá tirar notas interessantes desta partida.

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EPA/Enric Fontcuberta

Haverá benfiquistas crentes de que o Barcelona, próximo adversário na Liga dos Campeões, é uma equipa sem qualidade colectiva e outros cautelosos pela qualidade individual que pode sempre resolver os jogos à formação de Ronald Koeman. Nesta segunda-feira, o Barcelona foi precisamente isto: uma equipa com muitos “artistas”, mas sem qualidade de jogo. Para piorar, um duo português aproveitou-o a preceito.

Desta forma, com Domingos Duarte a marcar e Luís Maximiano a defender, o Barcelona empatou (1-1) em casa frente ao Granada, em jogo da Liga espanhola.

Com este resultado, os catalães, que têm menos um jogo (frente ao Sevilha), sobem ao sétimo lugar, a cinco pontos do líder Real Madrid.

Na Catalunha, o Barcelona fez um jogo globalmente fraco e foi salvo já nos descontos, com recurso à famosa táctica do “chuveirinho”, com cruzamentos sem nexo.

Durante quase todo o jogo a equipa esteve dependente de fogachos individuais, tendo uma tremenda inércia de movimentação entre os jogadores ofensivos.

Lionel Messi faz falta na definição e finalização, mas também parece fazer, por estes dias, muita falta na forma como “colava” a equipa, dando soluções entre linhas e unindo os sectores.

Para piorar, o Granada, confortável em bloco baixo, teve um português em destaque. Domingos Duarte foi “limpando” tudo o que apareceu pela frente e, no ataque, teve faro de ponta-de-lança para cabecear para golo, após um canto – logo aos 2’, ganhou pelo ar, ao segundo poste, ao médio Frenkie de Jong.

O Barcelona, muitas vezes limitado ao um contra um do lateral Dest ou do avançado Depay, criou um par de oportunidades de golo de bola parada e, quando o fez, outro português, o guarda-redes Luís Maximiano, respondeu a preceito – como aos 45’, numa grande defesa a um cabeceamento de Ronald Araújo.

Após o intervalo o Barcelona fez entrar um avançado mais posicional, Luuk de Jong, mas pouco mudou. Mais Barcelona sem ideias e mais Granada confortável a jogar em poucos metros de terreno.

Os catalães continuaram a dominar amplamente a partida – e por aí poderia justificar-se o empate –, mas o engenho era pouco e a solução dos cruzamentos, muitos sem nexo, foi sempre uma tentação à qual foi difícil resistir, pela presença de Luuk de Jong na área.

Num completo desnorte, o Barcelona continuou a despejar bolas na área do Granada, sobretudo quando Ronald Koeman desistiu da via criativa e fez entrar Gerard Piqué para… ponta-de-lança. Não satisfeito, o técnico ainda juntou também o central Ronald Araújo ao ataque. Eram dois centrais e um ponta-de-lança na área do Granada.

Luuk de Jong desperdiçou uma grande oportunidade aos 81’, mas, em geral, as ocasiões de golo foram até menos evidentes do que as da primeira parte, em grande parte fruto do desespero crescente.

Já aos 90’, a táctica do Barcelona deu resultado. A confusão na área do Granada resultou num cabeceamento de Ronald Araújo, que salvou a equipa de uma derrota embaraçosa-

O Barcelona não se salvou, no entanto, da imagem muito cinzenta deixada neste jogo, até pela confidência feita por Ronald Araújo no final, sobre o “chuveirinho": “Não, não foi treinado”. E o Benfica esteve, por certo, a tirar notas.

Desta segunda-feira destaque ainda para a subida do Nápoles à liderança da Liga italiana. A equipa de Luciano Spalletti mantém o registo totalmente vitorioso no campeonato, ao vencer a Udinese, fora de casa, por 4-0.

Osimhen, aos 24’, Rrahmani, aos 35’, Koulibaly, aos 52’, e Lozano, aos 84’, fizeram os golos que permitem ao Nápoles somar 12 pontos em quatro jogos, mais dois do que os rivais de Milão, Inter e Milan, e mais três do que Roma e Fiorentina.