Com Sarabia, o Sporting toca outra música

O Sporting dominou o jogo de fio a pavio e teve em Pablo Sarabia (que nem fez um jogo de “encher o olho”) o maestro do lance que desbloqueou o jogo. E com o “perfume” técnico da bota esquerda do espanhol, a “música” tocada pelo Sporting terá tendência a ser outra – para melhor.

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Depois do 5-1 frente ao Ajax, na Liga dos Campeões, o Sporting redimiu-se na Liga portuguesa, saiu do “poço” europeu e apresentou-se de “cara lavada”, com uma vitória (1-0) curta, mas bastante competente frente ao Estoril.

Neste domingo, na Amoreira, os “leões” não deixaram escapar o FC Porto, que venceu nesta jornada, e colocam no Benfica uma pressão adicional para o jogo desta segunda-feira frente ao Boavista.

O Sporting dominou o jogo de fio a pavio e teve em Pablo Sarabia (que nem fez um jogo de “encher o olho"), titular pela primeira vez, o maestro do lance que desbloqueou o jogo. E com o “perfume” técnico da bota esquerda do espanhol, a “música” tocada pelo Sporting terá tendência a ser outra – para melhor.

Estoril subjugado

A primeira parte na Amoreira foi totalmente dominada pelo Sporting. O Estoril consentiu a iniciativa aos “leões”, apostando num bloco médio-baixo que retirava a profundidade ao Sporting.

Com pressão pouco intensa de dois jogadores do Estoril contra quatro adversários (os três centrais, mais Palhinha), a primeira fase de construção do Sporting foi sempre tranquila, mas a zona de criação esteve refém de um jogador com um perfil mais associativo.

Tal como em Famalicão, em que teve problemas muito semelhantes, o Sporting pareceu precisar mais de um jogador criativo como Daniel Bragança do que de um médio mais de explosão e condução como Matheus Nunes (jogador muito mais útil quando o adversário está exposto e há espaço para explorar).

O Sporting teve ainda outra limitação, que foi a ausência de Gonçalo Inácio. A jogar em 3x4x3, a equipa perde um atacante e ganha um defensor. Essa opção dá equilíbrio, melhor ocupação do espaço e liberdade aos atacantes, mas, por ter menos um criativo na frente, está dependente de que pelo menos um dos defesas tenha “perfume” nos pés.

E há jogos em que o bom ataque depende dos bons defesas e Inácio, pela saída de jogo que oferece, arranja soluções que Neto, Coates e Matheus Reis não conseguem – e isto foi ainda mais penalizador pela falta do tal médio associativo como Bragança. Sarabia, por exemplo, pediu muitas vezes a bola entre linhas, mas havia alguma incapacidade dos centrais “leoninos” para arriscarem passes para essas zonas.

Apesar de alguma incapacidade de activar Sarabia, Nuno Santos e Paulinho (que pediu muita bola em apoio frontal), o jogo de paciência do Sporting, a rodar a bola de um lado ao outro, ia dando frutos quando havia uma pequena desconcentração de um jogador do Estoril – é este o problema do controlo zonal, em que uma má abordagem de um jogador desequilibra toda a equipa.

O Sporting somou, desta forma, oportunidades de golo suficientes para sair em vantagem para o intervalo. Paulinho chamou Dani Figueira a defender com mestria aos 28’, viu um golo ser-lhe negado em cima da linha de baliza aos 29’ e Nuno Santos não conseguiu finalizar aos 37’, em boa posição.

Do lado do Estoril a incapacidade de sair com qualidade foi constante, ora por precipitação, ora simplesmente por falta de presença ofensiva de um bloco bastante conservador. Houve, ainda assim, uma dupla oportunidade de golo, aos 15’, para uma dupla defesa de Adán.

O Sporting regressou do intervalo mais intenso na circulação, com um dos centrais a sair com bola e os espaços apareceram com maior naturalidade.

Aos 66’, já depois de uma bola ao poste de Paulinho, o Estoril deu pela primeira vez a profundidade ao Sporting, depois de mais de uma hora de jogo em bloco baixo – curiosamente, esta opção momentânea de posicionamento até surgiu na fase em que o Sporting tinha mais presença ofensiva (na tese, foi um contra-senso).

Atento, Sarabia fez o que habitualmente faz Inácio e colocou a bola longa em Paulinho, que foi derrubado pela má abordagem do guarda-redes Dani Figueira. Houve penálti sobre o avançado e golo de Pedro Porro.

A partir daqui houve um jogo mais fraco. O Sporting recuou um pouco e deu a bola ao Estoril, cujo engenho para criar bons lances nem sempre esteve presente, mesmo com a entrada de criativos tecnicamente mais capazes, como Francisco Geraldes, ou de médios mais intensos e com chegada à área, como Romário Baró.

O jogo caminhou até ao final sem grandes motivos de interesse, com o Sporting a defender de forma sólida em bloco baixo  vertente defensiva em que, tendo Coates, raramente passa dificuldades.