Candidata do CDS-PP a freguesia de Palmela surpreendida por tiroteio

Linda Oliveira, candidata do partido à Junta de Freguesia de Palmela, Setúbal, “foi apanhada no meio de um tiroteio” quando colocava material publicitário.

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Congresso do CDS-PP em Aveiro, Janeiro de 2020 Paulo Pimenta/Arquivo

O CDS-PP comunicou este sábado que a candidata do partido à Junta de Freguesia de Palmela, Setúbal, foi surpreendida na noite de sexta-feira por um tiroteio, quando se encontrava a colocar material publicitário.

Em comunicado, o partido indica que, por volta das 22h30, Linda Oliveira encontrava-se a colocar uma faixa publicitária relativa às eleições autárquicas marcadas para o dia 26, na Avenida dos Caminhos de Ferro, quando “foi apanhada no meio de um tiroteio”.

Segundo o relato, “uma mota sem matrícula e sem luzes, com dois indivíduos todos vestidos de preto, aproximou-se do grupo de candidatos” e terá disparado “dois tiros em direcção aos presentes”.

“Não satisfeitos, depois de passarem pela candidata, voltaram a disparar mais dois tiros, acertando numa vivenda ao lado, assustando os residentes, que se atiraram para o chão”, lê-se no comunicado.

De acordo com a nota, a “GNR foi imediatamente chamada ao local, tendo-se colocado à procura dos indivíduos”.

A Lusa contactou a GNR de Palmela que confirmou a deslocação até ao local, tendo apenas encontrado os denunciantes, pelo que não pode constatar os factos, apesar de ter percorrido as imediações.

Um “atentado contra a democracia"

O presidente do CDS-PP considerou hoje que o tiroteio tratou-se de um “atentado contra a democracia” da autoria de “forças altamente extremistas” e garantiu que o partido não se deixa intimidar.

“Eu já tive oportunidade de falar com a Linda Oliveira, candidata do CDS a presidente da Junta de Freguesia de Palmela, que está naturalmente muito consternada e abalada com os acontecimentos porque foi a visada de um tiroteio enquanto montava estruturas de campanha no seu próprio concelho”, disse Francisco Rodrigues dos Santos.

O líder democrata-cristão falava aos jornalistas em Coimbra, no início de uma arruada com o candidato da coligação “Juntos por Coimbra” (PSD/CDS/Nós, Cidadãos!/PPM/Aliança/RIR/Volt), José Manuel Silva.

Na óptica do presidente do CDS, tratou-se de um “atentado contra a democracia perpetrado por forças que são altamente extremistas e que devem merecer o repúdio e a censura de todos os partidos democráticos”.

E os autores devem ser “severamente punidos porque em democracia não há lugar para comportamentos destes”, defendeu.

Questionado sobre os autores do tiroteio, Francisco Rodrigues dos Santos indicou que “as forças não estão identificadas”, mas que “são extremistas pela natureza do crime que perpetraram, e neste momento a polícia está a efectuar diligências de investigação para apurar quem são”.

“Agora, há uma coisa que é certa, Portugal não pode regressar ao tempo do PREC. Todos nós no CDS nunca tivemos medo e afirmámos sempre este partido sob cerco e debaixo de fogo, não nos deixaremos intimidar e estaremos sempre na luta da democracia que orgulhosamente ajudámos a fundar em Portugal”, vincou.

O presidente do CDS-PP referiu que foi avisado do sucedido pela candidatura local e que “aqueles tiros foram na direcção” dos candidatos “que estavam a montar estruturas de campanha, eram o alvo daquele crime”.

Situação a cargo da Polícia Judiciária

A GNR remeteu para a Polícia Judiciária a investigação do caso. Em comunicado, a Guarda Nacional Republicana explica que pelas 22h20 recebeu uma denúncia via 112, que dava conta de disparos de uma arma de fogo por dois indivíduos que se faziam transportar num motociclo.

A denúncia telefónica terá sido feita por um trabalhador de afixação de cartazes eleitorais que se encontrava a laborar no local, e posteriormente pelo alegado proprietário de uma habitação.

Segundo a GNR, foi feita inspecção do local na tentativa de recolher qualquer vestígio tendo os factos, pela natureza do crime, sido comunicados à Polícia Judiciária, que detém a competência para investigação.

Relativamente a estes factos, adianta a GNR, foi recebida uma queixa no Posto de Palmela e foi elaborado Auto de Notícia.