Ministra dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos demite-se por causa do Afeganistão

Parlamento aprovou moção de censura contra Kaag, responsabilizando o Governo pelos erros cometidos na retirada de holandeses e de afegãos do país.

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Sigrid Kaag discursa no Parlamento, sob o olhar atento do primeiro-ministro, Mark Rutte Sem van der Wal/EPA

Sigrid Kaag já não é ministra dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos. Na sequência da aprovação de uma moção de censura na quinta-feira no Parlamento, por causa da gestão do Governo da retirada de cidadãos nacionais e de afegãos, Kaag decidiu abandonar o cargo.

“O Parlamento decidiu que o Governo actuou irresponsavelmente. O ministro deve sair quando as suas políticas são rejeitadas”, justificou a ex-diplomata e actual líder do partido liberal D66, citada pela Reuters.

Na base da moção que reuniu a maioria do apoio dos deputados – num Parlamento que, seis meses depois das últimas eleições legislativas, continua sem encontrar uma coligação de governo – está o argumento de que, para além de ter reagido de forma lenta à necessidade urgente de retirar civis do Afeganistão, aquando da tomada do país pelos taliban, o executivo não foi capaz de garantir o transporte de milhares de pessoas.

Os aviões militares holandeses retiraram cerca de 2100 pessoas do território, 1700 com os Países Baixos como destino final. 

Mas centenas de cidadãos holandeses, muitos com ascendência afegã, e milhares de cidadãos afegãos que colaboraram com as forças estrangeiras durante a ocupação norte-americana e da NATO – e que, por isso, eram elegíveis para pedido de asilo ou para requisição de estatuto de refugiado – foram deixados para trás.

Kaag assumiu que o Governo – liderado por Mark Rutte – agiu com base em “pressupostos falsos”, mas lembrou que a rápida conquista do Afeganistão surpreendeu toda a gente, “incluindo os próprios taliban”.

A agora ex-ministra é a primeira responsável de topo de um governo Ocidental a demitir-se do cargo por causa da gestão da retirada de pessoas do Afeganistão. Criticado pelos mesmos motivos, Dominic Raab também abandonou a pasta dos Negócios Estrangeiros do Governo britânico, mas por iniciativa do primeiro-ministro Boris Johnson, que o colocou no Ministério da Justiça.