Futebol português contra hipótese de um Mundial de dois em dois anos

Principais organismos do sector tomaram posição conjunta de contestação à intenção da FIFA.

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Rui Gaudencio

O futebol português está contra a intenção da FIFA de aumentar a periodicidade do Campeonato do Mundo, passando a ser relizado de dois em dois anos. Através de um comunicado conjunto, a Federação Portuguesa de Futebol, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional, o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, a Associação Nacional de Treinadores de Futebol e a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol mostram-se contra esse plano.

Entre as razões que motivam esta tomada de posição estão a “sobrecarga dos calendários e a saúde física dos atletas, o impacto sobre a saúde mental dos jogadores, obrigados, neste formato, a fazerem duas concentrações anuais de várias semanas e a sobreposição de Jogos Olímpicos e Mundiais de futebol”.

Os diferentes organismos do futebol português apontam ainda para a “sobreposição de provas continentais e intercontinentais masculinas e femininas nos mesmos anos, o que retira impacto ao futebol feminino”, bem como a paragem competitiva de todos os campeonatos para um formato de qualificação concentrado, obrigando os clubes a ficarem sem competição durante mais de um mês seguido.

Outros dos motivos apresentados são o aumento do risco de lesão em torneios concentrados de apuramento e fases finais, o impacto nas competições jovens de selecções, a “saturação do mercado de direitos televisivos e comerciais”, bem como as consequências ao nível do emprego global de atletas de futebol, com “concentração nas provas mais mediáticas e consequente redução de clubes e calendários nacionais”.

No comunicado conjunto é também realçada a “inoportunidade" da discussão do tema, sendo recordado que ainda não se disputou o primeiro Mundial alargado e com o novo formato de 48 selecções, que deverá acontecer pela primeira vez em 2026.

“Por todos estes factores e muitos outros, resulta claro que não podemos ser favoráveis a que uma medida destas seja implementada e ainda menos como resultado de um processo de consulta inexistente, no que aos clubes, ligas, federações, sindicatos de jogadores, treinadores e árbitros diz respeito”, concluiu o documento.