Pedro Jóia apresenta Zeca, “uma música que toca muito o coração das pessoas”

Já correu vários palcos, mas agora estreia-se numa sala de Lisboa: Zeca, de Pedro Jóia com José Salgueiro, tem duas sessões na Culturgest este sábado, às 17h e às 21h.

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Pedro Jóia RITA CARMO

Anunciada para Junho e primeiramente adiada para Julho, chega finalmente a uma sala lisboeta a apresentação do vivo do disco Zeca, que Pedro Jóia dedicou integralmente à obra de José Afonso. É este sábado, na Culturgest, e terá duas sessões, às 17h e às 21h. Com Pedro Jóia (guitarra) estará, tal como no disco, José Salgueiro nas percussões.

Lançado em Maio de 2020, o disco foi distinguido em Junho de 2021 com o Prémio Carlos Paredes pela Sociedade Portuguesa de Autores e desde o seu lançamento já correu vários palcos no país (Albufeira, Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos, Caldas da Rainha, Castro Marim, Festa do Avante!) e fora dele (Sevilha, no Festival de Guitarra), embora os cuidados ditados pela pandemia tenham reduzido a agenda e adiado vários concertos.

Mesmo assim, onde pôde tocar, Pedro Jóia diz que teve as melhores reacções: “Tem sido extraordinário, porque esta é uma música que toca muito ao coração das pessoas. E elas estão muito habituadas a ouvir isto cantado, não tocado. De certa forma, há aqui uma novidade, que é ouvir a música do Zeca instrumental, apenas. E não acontece quererem cantar em cima, estão a ouvir, com uma avidez absoluta de reconhecerem as canções.”

O mesmo aconteceu com os discos: “A venda dos discos foi incrível, a Sony ficou super contente, porque o Zeca foi o terceiro disco de música portuguesa mais vendido em 2020 e o oitavo em termos absolutos. O que é uma coisa extraordinária, porque falamos de um disco de música instrumental. E houve edição em vinil, que também correu muito bem.”

O que inspirou Pedro Jóia para um dia gravar este disco já vem muito de trás, da infância, como ele explicou em 2020 numa entrevista ao Ípsilon: “Lembro-me de, em criança, a música dele se ouvir muito lá em casa e na rádio. Ouvia intensamente o disco das Baladas de Coimbra, tinha o Fura Fura e vários outros discos. Tinha um contacto muito frequente com a música dele.” E ainda se recordava bem da sua reacção àquelas canções: “Transmitiam-me um sentimento quase épico, isto sem analisar a música. A minha sensação, em criança, é que ele era um artista muito especial. E as pessoas comoviam-se muito a ouvir aquilo, o que também influencia o modo como uma criança ouve. Só mais tarde é que percebi a real dimensão de tudo aquilo, entendendo porque é que as melodias dele, sendo tão simples e tão fortes, me tocaram, ainda em criança, profundamente.”

Nunca apresentou um disco em duas sessões, embora tenha passado por essa experiência a acompanhar a fadista Mariza (em Coimbra e em Nova Iorque), mas isso não o intimida: “Vai correr tudo bem, porque há um sentido de responsabilidade e uma adrenalina que depois se preenche naturalmente, quando subimos ao palco”. Quanto aos temas, mantêm-se, já que os concertos replicam o disco na íntegra. Mas não da mesma forma, como diz Pedro Jóia: “Tem sido dinâmico. Aquilo que se ouve no disco, eu diria que já pouco tem a ver com aquilo que nós estamos a fazer em concerto. Isto não desmerece nada, nem o disco nem o concerto. Mas já nem me lembro bem da forma como gravei no disco.”

Antes, porém, na primeira parte do concerto, Pedro Jóia aborda outro repertório a ele ligado: “Toco música minha, do Armandinho, do Carlos Paredes, toco também uma ou duas peças mais dedicadas à guitarra flamenca. Andamos por aqui, por este território.”