Primeiro hospital privado na era pós-covid vai ser construído em Beja

A futura unidade hospitalar propõe-se servir os utentes que tenham seguro de saúde, da ADSE e até pessoas vindas de território espanhol. Terá uma dimensão transfronteiriça.

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Hospital Privado do Alentejo terá cerca de 270 trabalhadores Paulo Pimenta / Arquivo

Dimensionado com recurso à tecnologia de ponta, o futuro Hospital Privado do Alentejo foi apresentado nesta quarta-feira em Beja, onde abrirá ao público no último semestre de 2023. Concebido para a prática da medicina preditiva, a nova unidade de saúde propõe-se alterar o atendimento e tratamento hospitalar. 

É o primeiro a ser concebido e idealizado em Portugal na era pós-covid e irá garantir menos tempo de espera de quem o procura, diz Francisco Miranda Duarte chairman e CEO da Empírica, SGPS, SA. Vai ter uma unidade de cuidados intensivos e de ressonância magnética, equipamento que foi prometido e garantido inúmeras vezes para o Hospital Distrital de Beja mas que tarda em ser instalado. Abrangerá áreas como a cardiologia e a oncologia. O tipo de consultas e as próprias salas de espera “do antigamente” serão substituídas por formas de atendimento “à escala humana”, assegura. 

O diagnóstico médico será baseado na medicina preditiva e personalizada para se actuar de uma forma mais precoce e assim “evitar que a doença se agudize”. Dessa maneira, com base no histórico da pessoa (consultas, estilo de vida, patologias dos familiares, etc.) é possível identificar com antecedência o diagnóstico da doença.

E os custos deste modelo de medicina? O CEO da Empírica, empresa que criou uma parceria com a Siemens Healthineers para concretizar o projecto do Hospital Privado do Alentejo, explica: “Cerca de 50% da população portuguesa já tem uma outra forma de assistência na doença”. Cerca de 3 milhões têm seguro de saúde, 1,2 integram a ADSE e cerca de 500 mil têm outros tipos de assistência hospitalar. Estes números revelam “um crescimento muito grande dos sistemas de saúde privados”, analisa Miranda Duarte.

Por outro lado, a nova unidade de saúde propõe-se servir, não só a população do Baixo Alentejo, mas também a região algarvia e até utentes vindos de território espanhol. Terá uma dimensão transfronteiriça. “Serviremos quem tenha sobretudo ADSE e sistemas de saúde”, salienta o CEO da Empírica, frisando que “as pessoas de Beja não têm resposta” para muitas das suas necessidades médicas.

O novo hospital terá 30 camas normais e mais sete na Unidade de Cuidados Intensivos. “Há uma tendência para a redução do internamento”, observa Miranda Duarte, facto que justifica o número de camas que a unidade de saúde irá comportar. Ao mesmo tempo, “vamos limitar ao máximo as deslocações ao hospital.” Daí a relevância que vai ser dada ao serviço ambulatório. Contará, também, com hospital de dia, consultas externas e atendimento permanente/urgência e uma estrutura residencial para 80 idosos.

O edifício onde vão trabalhar cerca de 270 pessoas, terá uma configuração arquitectónica tipo Allianz Arena e tem previsto um investimento de 26 milhões de euros, distribuídos por 18 milhões em edificado e 8 milhões em equipamentos de saúde.

A infra-estrutura será construída na periferia de Beja, num terreno com mais de 22 mil metros quadrados.

“Os residentes em Beja e no Baixo Alentejo têm as mesmas necessidades dos de Lisboa ou do Porto e nós estaremos cá para os servir”, promete o CEO da Empírica para justificar o empreendimento hospitalar numa região deprimida e com carências enormes no apoio médico.

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