Atl. Madrid-FC Porto ou o futebol com uma faca entre os dentes

Os portistas iniciam a sua participação na fase de grupos da Champions frente aos campeões espanhóis.

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Treino do FC Porto EPA/FERNANDO VELUDO

São dois treinadores temperamentais e as suas equipas têm um pouco deste traço de personalidade de ambos os técnicos. Tanto o FC Porto de Sérgio Conceição, como o Atlético de Madrid de Diego Simeone, jogam um futebol aguerrido, de muita intensidade em que a pressão sobre o adversário é uma máxima a levar para o relvado sempre. É esta forma de jogar, com “uma faca entre os dentes” que vai estar em campo nesta quarta-feira (20h, TVI), quando os “colchoneros” receberem os “dragões” no jogo inaugural de ambos na fase de grupos da edição deste ano da Liga dos Campeões.

Esta agressividade futebolística tem, contudo, consequências. O Atlético de Madrid é mesmo, nos dias que correm, a equipa com mais cartões (amarelos e vermelhos) vistos na Liga espanhola. Com quatro jornadas disputadas a formação orientada por Simeone já foi admoestada com 16 cartões amarelos e um vermelho – números semelhantes aos do FC Porto, que em cinco rondas da Liga portuguesa viu 13 amarelos e também um vermelho. Nesta quarta-feira se verá até onde esta matriz guerreira influenciará o futebol que será exibido em Madrid.

Simeone conhece Conceição dos tempos em que ambos partilharam o balneário enquanto jogadores da Lazio. E sabe o que espera o Atlético de Madrid. “[O Sérgio] Está a dar personalidade ao clube nestes anos no comando e não espero outra coisa do que vi na I Liga portuguesa e nas competições europeias: intensidade, muita agressividade, pressão no meio-campo adversário e velocidade no seu jogo”, explicou o técnico argentino.

Uma radiografia que é partilhada, mas no sentido inverso, por Sérgio Conceição. “São equipas com dinâmicas diferentes com e sem bola, mas com o princípio base de serem ambiciosas, determinadas, não viram a cara à luta e que pensam que cada lance pode ser decisivo no final do jogo”, começou por analisar Conceição, que considerou o FC Porto como “mais pressionante na organização defensiva” enquanto o Atlético de Madrid “é mais paciente na recuperação da bola”. No entanto, acrescentou: “São extremamente perigosos no ataque. A nível de organização, em bloco médio-baixo, são mais pacientes.”

Num grupo B composto ainda por Milan e Liverpool é fácil de perceber que todos os pontos contarão. Por isso é tão importante o duelo de Madrid. Quem perder ficará desde logo em desvantagem numa competição em que se antevê muito equilíbrio. E Conceição lembra ainda outros factores que podem fazer a diferença.

“O FC Porto esteve numa final da Liga dos Campeões em 2004, e desde então os outros três estiveram, cada um, duas vezes em finais. Isso mostra o poderio e peso histórico destes clubes. Espero que apesar da diferença e de poderio financeiro consigamos contrapor com a nossa ambição e determinação de vencer”, afirmou o técnico dos “azuis e brancos”.

Esta reflexão de Conceição reflectiu-se também nas contratações para esta temporada. O Atlético gastou 75 milhões de euros no mercado de Verão, tendo tido capacidade para resgatar, por exemplo, Antoine Griezmann ao Barcelona, enquanto o FC Porto ficou-se pelos 24 milhões de euros, sendo que a contratação mais dispendiosa para os cofres do Dragão – Pepê – ainda não foi utilizado a titular.

Certo é que as duas equipas chegam a este embate numa situação muito idêntica. Se na Liga espanhola o Atlético de Madrid ocupa o terceiro lugar, somando três triunfos e um empate nas quatro jornadas já disputadas, na Liga portuguesa o FC Porto também é terceiro classificado, fruto de três triunfos e duas igualdades, dado que por cá já se realizou mais uma ronda da prova nacional. A diferença é que os homens de Simeone são terceiros mas com os mesmos pontos do primeiro, enquanto a equipa de Conceição está a quatro pontos do líder.

No Atlético, o central montenegrino Stefan Savic estará ausente, por castigo. Já entre no FC Porto, a única “baixa” é a do guarda-redes argentino Marchesín, ainda a recuperar de intervenção cirúrgica ao joelho direito.