A permanente narrativa narcisista da espécie humana

A cada momento a espécie humana acha que vive o clímax da sua história. Este é só mais um desses episódios narcísicos, diz Emily St. John Mandel, a canadiana que viu a vida transformar-se desde que publicou Estação Onze, romance sobre o fim de um tempo causado por uma pandemia que levou ao colapso da humanidade.

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Esta é uma conversa a partir de dois livros. Um deles é uma distopia. Este agora é a história inquietante de um colapso financeiro, emocional, temporal. Depois de Estação Onze, livro bastante premiado que tornou Emily St. John Mandel numa estrela — e que teve existência discreta em Portugal — chega-nos O Hotel de Vidro onde a escritora de 42 anos, natural de Comox, Canadá, continua a desafiar as fronteiras entre ficção e realidade. Nesse processo, vai descobrindo o seu papel enquanto autora.