Oposição vence eleições na Noruega e a esquerda está próxima do poder

Trabalhistas superam conservadores e iniciam negociações para uma coligação alargada. Primeira-ministra Solberg deixa o cargo ao fim de oito anos.

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Jonas Gahr Stoere, líder do Partido Trabalhista, prometeu "um novo governo e um novo rumo" para a Noruega Reuters/NTB

O Partido Trabalhista foi o mais votado nas eleições legislativas de segunda-feira na Noruega e vai iniciar imediatamente negociações com os partidos de esquerda para formar um novo governo. 

Após uma campanha marcada por questões ambientais, pelo debate sobre a desigualdade económica e por discussões sobre o futuro da exploração petrolífera no país nórdico, o eleitorado penalizou o Partido Conservador, da primeira-ministra Erna Solberg, e deu uma maioria parlamentar à oposição de centro-esquerda.

Com 48 deputados eleitos, os trabalhistas, de Jonas Gahr Stoere, vão tentar formar uma coligação com o Partido do Centro (28 deputados) e com o Partido da Esquerda Socialista (13 deputados). Dessa forma, alcançariam os 89 deputados – a maioria mínima no Parlamento, de 169 lugares, é de 85.

Existe ainda a possibilidade de se incluir o Partido Vermelho (oito deputados) e o Partido Verde (três deputados) numa solução alargada à esquerda.

“Sendo nós o maior partido, vamos assegurar-nos que a Noruega vai ter um novo governo e um novo rumo. Nos próximos dias, vou convidar os líderes de todos os partidos que querem uma mudança”, prometeu Stoere no seu discurso de vitória, na segunda-feira à noite, citado pela Reuters.

Pouco antes, Solberg assumia a derrota do Partido Conservador. Os conservadores elegeram apenas 36 deputados – menos nove que em 2017 – e os seus parceiros de Governo, os liberais e os cristãos-democratas, também ficaram aquém das expectativas, com oito e três deputados eleitos, respectivamente.

“Por esta altura, o trabalho do Governo conservador está terminado”, confirmou a primeira-ministra aos seus apoiantes na segunda-feira.

Solberg vai abandonar a chefia do executivo norueguês ao fim de oito anos.