Quando a mentira se agiganta e multiplica

Uma menina contou uma mentira. “As palavras saíram sozinhas”, diz. E agora? Conseguirá revelar a verdade ou ficará refém do que inventou?

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Frédérique Bertrand
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Capa do livro “A Mentira”, editado pela Livros Horizonte Frédérique Bertrand

Haverá alguém que nunca mentiu? As mentiras são mesmo assim, começam pequenas, vão crescendo, perseguem por todo o lado quem as inventou e depois parece tarde para remediar e contar a verdade.

Nesta história, a mentira assume a forma de uma bola vermelha. Primeiro, um pequeno ponto, depois cresce, cresce, parece já um balão e acompanha sempre a menina que a disse. No quarto, na casa de banho, na rua, na escola.

“Eu tentava não olhar para ela, mas ela continuava ali. Ali… E ali… Sempre ali.”

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Tratando-se de uma criança, sabe-se que a imaginação, as invenções, as inverdades e as mentiras se misturam num caldo criativo e inocente (na maior parte das vezes).

Por isso, esta história vale muito pela ausência de julgamento. Não chegamos a saber qual foi a mentira e tendemos a simpatizar com quem a proferiu. Partilhamos o seu sofrimento e queremos sossegá-la quanto às perguntas que a atormentam. “Será que, depois de uma mentira, as pessoas deixam de acreditar em nós?” e “será que, depois de uma mentira, as pessoas deixam de gostar de nós?”.

Um livro que vive muito da expressão gráfica de uma ilustradora muito premiada e com diferentes registos, todos reveladores de grande talento e sensibilidade. Frédérique Bertrand foi vencedora da primeira edição da Ilustrarte — Bienal Internacional de Ilustração para a Infância, em 2003.

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O texto, breve, de Catherine Grive permite uma leitura aberta e pessoal do que vai acontecendo. Cada leitor pode imaginar a mentira de que aqui (não) se fala, invocar as suas próprias aldrabices… e reconciliar-se com a verdade. E com os outros.

A autora nasceu em Toronto (Canadá), mas foi para França logo aos quatro anos. Trabalhou em publicidade, foi depois para Londres, onde ensinou francês a americanos que queriam expandir o seu vocabulário gastronómico. Acabaria por voltar para França e produzir programas sobre a cultura francesa. Não gosta de viajar, mas traduz guias turísticos para a National Geographic.

Quanto ao enorme balão vermelho que se agigantou na vida da menina protagonista desta história, teve o fim merecido… foi picado por um alfinete afiado e “nem sequer teve tempo de fazer ‘Puf!’ Rebentou logo”. Mérito repartido entre a menina e os adultos que a educavam.

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