A segurança do Presidente num país tranquilo

O episódio dos contactos com o suspeito de terrorismo não basta para se criar um clamor securitário que force o Presidente ou outros titulares de altos cargos políticos a abdicarem da informalidade e da proximidade das pessoas.

O primeiro-ministro deixou-se fotografar ao lado de um imigrante iraquiano que estava sob vigilância e investigação dos serviços de segurança e que acabou detido por suspeitas de envolvimento em actos de terrorismo. O alarme da notícia divulgada pelo DN envolveu pouco depois Marcelo Rebelo de Sousa e obriga a uma discussão sobre os riscos que um Presidente popular, adepto convicto do contacto directo e avesso a protocolos, corre nas suas exposições em público. Mas implica também uma constatação óbvia: Portugal é um país tão seguro que o simples contacto de uma alta figura do Estado com um imigrante objecto de suspeitas se torna um acontecimento de particular gravidade.