Laschet apresenta equipa para tentar recuperar de quebra da CDU nas sondagens

Sociais-democratas alemães mantém-se à frente nas mais recentes sondagens para as eleições de 26 de Setembro.

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A equipa de Armin Laschet ANNEGRET HILSE/Reuters

O candidato dos democratas-cristãos alemães (União, CDU/CSU) Armin Laschet apresentou esta sexta-feira uma equipa para tentar reavivar a sua campanha, quando as sondagens mantêm um avanço do partido de centro-esquerda SPD e uma queda dos conservadores.

O mote era “especialistas em vez de experiências” (que em alemão soa melhor – Experten statt Experimente), palavras que fazem lembrar um famoso slogan de Konrad Adenauer, “Keine Experimente”, que em 1957 prometia não fazer experiências, ao contrário do que sugeria o Partido Social Democrata (SPD).

Criticado por ser vago e pouco decidido, Laschet teve um ponto baixo quando uma câmara de televisão o apanhou com um grupo de pessoas, a rir atrás do Presidente, Frank-Walter Steinmeier, que falava aos afectados das enormes cheias no seu estado federado, a Renânia do Norte-Vestefália, em Julho.

A subida de Scholz nas sondagens também coincidiu temporalmente com o início da campanha, que apostou numa imagem forte de competência do actual ministro das Finanças e vice-chanceler, e de ele “ser capaz de ser chanceler”, usando a palavra no feminino, referindo-se a Angela Merkel. A chanceler já veio dizer que é muito diferente de Scholz, declarando que nunca chefiaria um governo vermelho-vermelho-verde, ou seja, que incluísse o partido Die Linke - embora esta possibilidade seja posta apenas por algumas sondagens e Scholz seja um centrista a quem uma coligação destas não interessaria especialmente. 

Laschet sublinhou que não se tratava de um futuro governo. Qualquer composição terá de ter em conta além do partido mais votado, se basta um outro partido ou se serão precisos mais dois (o que aconteceria pela primeira vez desde os primeiros anos da República Federal, e seria uma estreia com os actuais partidos) para uma maioria (um governo minoritário não é, em geral, considerado como uma opção num país em que a estabilidade é muito valorizada).

Digna de nota é a entrada em cena do seu rival para a liderança do partido Friedrich Merz, que perdeu duas vezes a corrida, primeiro para Annegret Kramp-Karrenbauer, que acabou por se afastar da liderança quando houve uma votação em que os conservadores votaram ao lado do partido nacionalista Alternativa para a Alemanha (AfD), e depois para Armin Laschet, num congresso virtual, que fora bastante adiado por causa da pandemia. Mas em ambas as vezes, Merz, milionário e antigo consultor da BlackRock, conseguiu votações expressivas mostrando a divisão no partido entre uma linha mais à direita representada por si e uma linha mais ao centro, na continuidade de Merkel, representada por Laschet.

Merz é a excepção numa equipa de figuras que não são muito importantes a nível nacional. Houve um esforço de paridade (Laschet já foi criticado por na sua equipa do governo da Renânia do Norte-Vestefália ter poucas mulheres) e a equipa conta ainda com um candidato negro, Joe Chialo, que concorre ao parlamento do estado federado de Berlim (que é uma cidade-estado, como são também Hamburgo e Bremen).

As últimas sondagens parecem confirmar a inversão da tendência de liderança que durante meses e meses a fio esteve firmemente nas mãos da CDU e agora passou na maioria para o SPD. O inquérito mais recente, do instituto FGW, dá uma diferença de três pontos percentuais entre os dois partidos: 25% para o SPD, 22% para a CDU, 17% para os Verdes, 11% para o Partido Liberal Democrata (FDP) e o mesmo para o partido nacionalista Alternativa para a Alemanha (AfD), 7% para Die Linke (A Esquerda).

Além da queda de à volta de dez pontos percentuais em tão pouco tempo, a surpresa é maior também porque a CDU é o partido de governo por excelência na Alemanha, tendo chefiados os governos em 52 dos 72 anos da República Federal e contando com dois chanceler “eternos”, Helmut Kohl e Angela Merkel, com 16 anos na chancelaria (ela um pouco mais do que ele). Entre as potenciais novas coligações havia uma sondagem que dava uma maioria a uma “grande coligação”, de bloco central, entre a CDU e o SPD – só que, ao contrário das que liderou Merkel, esta poderia ser chefiada pelos sociais-democratas.

Alguns especialistas em sondagens alertam para a grande volatilidade e o número de indecisos que parece ser maior do que em votações anteriores, quando faltam dois debates e pouco mais de três semanas de campanha.