Há mesmo variantes novas do coronavírus a circular?

Há um sistema global de vigilância das muitas novas variantes do SARS-CoV-2 que vão surgindo, para perceber quais são aquelas em que temos de concentrar as nossas atenções. A OMS faz uma compilação semanal.

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Protesto antivacinas ma Colômbia NATHALIA ANGARITA/Reuters

O boletim epidemiológico semanal da Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que será aumentada a vigilância sobre uma variante que se tem espalhado na América do Sul.

Há uma nova variante do SARS-CoV-2 que a OMS está a monitorizar?

Em colaboração com outras instituições, a OMS está sempre a avaliar se alguma das muitas variantes que surgem no mundo têm características que possam ter um impacto “na vacina, terapêutica, diagnóstico ou eficácia das medidas sociais aplicadas pelas autoridades nacionais para controlar o alastrar da doença”. Essas variantes podem depois vir a ser classificadas como variantes de interesse (as menos graves) ou variantes de preocupação (as mais graves).

O que diz o mais recente relatório epidemiológico da OMS é que a variante B.1.621, detectada na Colômbia desde Janeiro de 2021, foi classificada como variante de interesse a 30 de Agosto e foi-lhe atribuído o nome “Mu”, de acordo com a nova nomenclatura baseada no alfabeto grego.

O que distingue uma “variante de interesse” de uma “variante de preocupação” do vírus SARS-CoV-2?

Uma variante de interesse apresenta mutações genéticas que se sabe ou que se prevê que afectem características do vírus como a transmissibilidade, a gravidade da doença, a capacidade de se evadir ao sistema imunitário ou aos tratamentos. Deve também identificar-se uma significativa transmissão comunitária ou vários núcleos de transmissão da doença, em vários países, e a prevalência deve ter tendência crescente, ou outros impactos epidemiológicos que surgiram que pode ser um risco emergente para a saúde pública global. Este é o caso da variante Mu.

Já uma variante de preocupação deve ter adicionada a estas características pelo menos uma das seguintes alterações com significado para a saúde pública global, diz a OMS: aumento da transmissibilidade na epidemiologia da covid-19; ou aumento da virulência ou alterações na apresentação clínica da doença; diminuição da eficácia das medidas de saúde pública ou dos métodos de diagnóstico, vacinas e terapias. Este é o caso das variantes Alfa, Beta, Gama e Delta. Esta última está a causar todos os casos de infecção em Portugal, segundo o último relatório sobre a diversidade genética do novo coronavírus do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

Porque é que a OMS decidiu classificar agora a variante Mu?

Esta variante de interesse do SARS-CoV-2 mostra uma redução na capacidade de neutralização dos anticorpos da vacina e de pessoas que já tiveram covid-19, de forma semelhante ao que acontece com a variante de preocupação Beta – embora isto tenha de ser confirmado por mais estudos, salienta a OMS.

Foi identificada pela primeira vez na Colômbia em Janeiro de 2021 e desde então causou alguns surtos esporádicos na América Latina e na Europa também, embora a sua prevalência global em casos de doença sequenciados tenha diminuído e seja actualmente abaixo de 0,1%.

Mas na Colômbia e no Equador esta variante tem aumentado de forma consistente, e representa 39% dos casos no primeiro país e 13% no segundo. A Colômbia teve inicialmente falta de vacinas para a sua população, mas confronta-se com um movimento crescente antivacinas, e no Equador há também uma resistência forte à vacinação contra a covid-19.

A OMS apela a mais estudos para compreender as características desta variante. Será motivo de redobrada atenção para a OMS na América do Sul, para ver como evolui a par com a variante Delta, que está ainda a crescer na região.