Veículo autónomo atropela atleta cego em Tóquio. Frota da Toyota com segurança reforçada

A Toyota Motor anunciou o retomar das operações dos veículos autónomos que servem a aldeia dos Jogos Paralímpicos de Tóquio, adiantando que irá ter mais pessoal de segurança a controlar as operações.

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O presidente da Toyota Motor Corporation, Akio Toyoda, mostra o veículo conceptual autónomo e-Palette no Salão Automóvel de Tóquio, em Outubro de 2019 Reuters/EDGAR SU

Os e-Palettes foram parados depois de um dos veículos ter colidido e ferido um atleta japonês cego, na semana passada, em Tóquio, onde decorrem os Jogos Paralímpicos. Segundo um comunicado da Toyota, “o sensor do veículo detectou a travessia pedonal e activou o travão automático, e o operador também activou o travão de emergência. O veículo e os peões, no entanto, entraram em contacto antes de [a viatura] parar completamente”. A explicação, já após um pedido de desculpas do CEO do emblema, Akio Toyoda, deita por terra a constatação do erro da máquina, mas volta a trazer para o centro das atenções os perigos associados à condução autónoma — que, se por um lado elimina o erro humano, por outro, não está livre de falhas —, além de reforçar o dilema em torno da culpa do acidente: do operador presente, da marca automóvel, do programador do sistema?

O atleta em causa, Aramitsu Kitazono, de 30 anos, não ficou ferido com gravidade, apresentando apenas cortes e hematomas, mas o incidente acabou por obrigar à sua retirada da competição de judo, o que causou ainda mais embaraço à construtora japonesa que, a par de outras marcas, tem vindo a investir em soluções de condução autónoma para as estradas públicas.

e-Palette, um veículo eléctrico a bateria, totalmente autónomo, foi adaptado especificamente para ser utilizado durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, com grandes portas e rampas eléctricas para permitir o rápido embarque de grupos de atletas. Ainda assim, cada veículo contava com a presença de um operador.

A partir de agora, a Toyota informou que a viagem passará a contar com dois membros do pessoal de segurança, que terão como missão vigiar a existência de peões, sendo que os operadores passarão a ter um controlo mais rápido sobre os veículos. Já os e-Palettes passam a emitir sons de aviso em travessias movimentadas na aldeia dos atletas. Aliás, a ausência de ruído nos carros eléctricos, que seria uma mais-valia aparente, tem sido alvo de debates em torno da segurança dos peões e de outros utilizadores vulneráveis das vias, tendo a União Europeia criado uma lei sobre o ruído dos carros eléctricosdesde Julho de 2019, que todos os veículos electrificados novos, híbridos ou 100% eléctricos, têm de incluir um dispositivo emissor de ruído; desde Julho deste ano, a regra passou a aplicar-se a todos os veículos electrificados em circulação.

Os Jogos Paralímpicos de 2020 começaram na última terça-feira, em Tóquio, ao mesmo tempo que o Japão luta com o seu pior surto de covid-19, com casos diários recorde e um serviço de saúde sob pressão.