Portugal com “apenas um caso” de variante detectada em Maio na África do Sul

Primeiros casos da C.1.2 foram detectados em Maio na África do Sul. Portugal registou um no início de Julho e “não voltou a aparecer qualquer caso nas mais de 3 mil amostras analisadas desde essa altura”, explica investigador do Insa.

Foto
O Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge faz a sequenciação dos genomas ANDRÉ KOSTERS

Portugal registou, até ao momento, apenas um caso de uma outra variante do SARS-CoV-2 identificada na África do Sul. Os primeiros casos da C.1.2, como é designada, foram detectados em Maio naquele país e de acordo com um artigo científico, nesta variante foram identificadas várias mutações, fazendo temer uma maior capacidade de transmissão do vírus.

Esta segunda-feira, o Observador dava conta de um estudo do Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul e da Plataforma de Inovação em Investigação e Sequenciamento de KwaZulu-Natal que revelava que esta variante representava 0,2% dos genomas sequenciados em Maio na África do Sul, tendo passado para 1,6% em Junho e 2% em Julho. O jornal acrescenta, citando o mesmo estudo, que a 13 de Agosto já havia casos desta variante identificados na República Democrática do Congo, Maurícia, Nova Zelândia, Suíça e Portugal.

“Até à data, foi detectado apenas um caso desta variante em Portugal, mais propriamente na Madeira. Foi identificado há dois meses (início de Julho) e não voltou a aparecer qualquer caso nas mais de 3 mil amostras analisadas desde essa altura”, disse ao PÚBLICO João Paulo Gomes, investigador do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa) e coordenador do estudo sobre a diversidade genética do novo coronavírus SARS-CoV-2, em resposta por escrito.

Razão pela qual não se espera, a manter-se este cenário, que tenha especial expressão em Portugal. “Não se espera que tenha uma evolução de crescimento de frequência, pois o único caso em Portugal foi identificado há dois meses, sem novas identificações até hoje”, salientou.

Questionado sobre se esta variante é mais transmissível que as restantes, o investigador referiu que não existir qualquer evidência nesse sentido. “Dificilmente isso acontecerá, dado já ter aparecido há vários meses e apenas cerca de 100 casos foram identificados em todo o mundo”, explicou.

Já quanto a uma possível maior resistência às vacinas, “não existem dados que suportem essa especulação”, disse. “Esta variante tem mutações que se sabe estarem associadas ao escape ao nosso sistema imunitário, tal como outras variantes. No entanto, não existem estudos que evidenciem que esta variante em particular origine problemas de falhas vacinais”, adiantou, referindo que também “não existem dados” indiquem que esta variante possa originar doença mais grave.